A democratização do acesso ao serviço de odontologia
Enviada em 25/04/2025
No filme “O Menino que Descobriu o Vento”, é a ausência de recursos e infraestrutura básica que atua como barreira no acesso aos serviços. E os personagens principais da narrativa, a qual se insere quando o filme apresenta eletricidade e água, não são os beneficiários deste tratamento, mas os que mais se aproximam da realidade brasileira. No Brasil, os que necessitam de tratamento odontológico ainda encontram limites em segmentos da população, compõem um fato que materializa uma desiguldade histórica e estrutural no atendimento à saúde.
Apesar de a Constituição Federal de 1988 considerar a saúde um direito de todos e um dever do Estado, a odontologia no SUS (Sistema Único de Saúde) é, em muitos casos, negligenciada. De acordo com o IBGE, a referida atitude torna as pessoas privadas da saúde mental e física, pois as doenças bucais podem ser alguns dos problemas graves que afetam vários outros locais do corpo, tanto o físico, como o emocional. O que não só reflete negativamente na autoestima, na inclusão, na empregabilidade das pessoas, como também lhes retira pertencimento social e capacidade de inserção no engajamento social e no trabalho.
O problema se manifesta com mais clareza nas periferias urbanas e no meio rural, onde há escassez de equipamentos, profissionais e unidades de atenção. À exemplo do que aconteceu na história do filme em que seu protagonista foi forçado a criar sua própria maneira pelo fato da ausência do Estado, muitos brasileiros optam pela automedicação ou pelo tratamento em casa, na impossibilidade de arcar com os gastos de um atendimento privado. Dessa forma, o governo deve estabelecer aumento na quantidade de equipes de saúde bucal nas unidades básicas de saúde e priorizar as áreas mais vulneráveis do país. Além de intensificar campanhas educativas e de prevenção, as campanhas de autocuidado e de promoção da saúde bucal na infância devem ser intensificadas nas escolas e nas comunidades, pois, como no caso do filme, a próprio tomada de consciência e de ação devem serem fundamentais para quebrar as barreiras. Sorrir não é um privilégio, e sim um direito de todos.