A democratização do acesso ao serviço de odontologia
Enviada em 26/04/2025
No documentário Muito Além do Peso, é exposta a precariedade da saúde bucal de crianças brasileiras, refletindo uma realidade invisibilizada: o acesso desigual à odontologia. Apesar de o direito à saúde estar garantido pela Constituição Federal de 1988, fatores como a desigualdade socioeconômica e a má distribuição de profissionais dificultam o acesso aos cuidados odontológicos. Assim, é necessário discutir como a exclusão social e a ausência de políticas públicas efetivas contribuem para a elitização desse serviço.
Em primeiro lugar, a desigualdade de renda afeta diretamente o acesso à odontologia, pois a maioria dos atendimentos de qualidade ainda está concentrada na rede privada. De acordo com o IBGE, grande parte da população brasileira depende exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS), onde os serviços odontológicos são limitados e mal distribuídos. Esse cenário reforça um ciclo de exclusão: famílias de baixa renda não conseguem arcar com tratamentos preventivos, o que agrava problemas bucais e compromete a qualidade de vida. Dessa forma, é evidente que a elitização da odontologia é um reflexo direto da desigualdade social.
Além disso, há uma escassez de políticas públicas voltadas para a saúde bucal nas periferias e zonas rurais. Segundo o Conselho Federal de Odontologia, muitos municípios do interior carecem de profissionais especializados e infraestrutura adequada. Esse déficit compromete o direito básico à saúde, previsto no artigo 6º da Constituição. Logo, a ausência de ações governamentais específicas torna o acesso ao serviço odontológico um privilégio, não um direito.