A desvalorização da ciência no Brasil

Enviada em 04/11/2025

No filme “Não olhe para cima”, três cientistas tentam convencer o mundo que um asteróide está em rota de colisão com a Terra, porém a falta de confiança neles impossibilita que a humanidade seja salva. Analogamente à realidade da ciência no Brasil, vê-se a necessidade de debater acerca da desvalorização dos processos científicos no país. Dessa forma, observam-se duas problemáticas a serem solu-cionadas: a ineficácia governamental e a descredibilidade científica.

Sob essa óptica, é inegável que o menosprezo estrutural na educação, devido à inação governamental, mostra-se crucial para a depreciação científica. Nesse sen-tido, o ex-ministro da Educação, Darcy Ribeiro, afirmou que a crise no sistema edu-cacional Tupiniquim não é uma crise, e sim um projeto. Dessa maneira, infere-se que o desmonte estrutural no ramo científico-educacional no território é proposital e possui conivência estatal. Isso ocorre pois, maiores taxas de escolaridade impli-cam o aumento do senso crítico para julgar as ações dos políticos - que sucateiam a ciência. Por isso, há a permanência do rebaixamento dessas áreas e impacto nas pesquisas mais avançadas (vacinas, tratamentos e remédios para doenças), sem que a população revele-se contrária.

Ademais, nota-se que a ciência no Brasil é constante alvo de descredibilização. Es-ta situação é concretizada, uma vez que há inserção de caráter religioso na política, visto que é atribuída à religião a resolução de problemas de rigor científico, tal qual ocorreu na pandemia de Covid-19, em que as pessoas acreditavam que seriam “cu-radas por Deus” e não tomaram vacinas. Este cenário é representado no documen-tário “Apocalipse nos Trópicos”, de 2025, e explicita a consequente desordem so-cial devido à ausência de discernimento do que é socialmente correto a ser seguido (ciência), e o que é de caráter individual e não pode ser universalizado (crenças).

Portanto, urge mitigar a desvalorização científica no país. Assim, cabe ao Ministé-rio da Ciência, Tecnologia e Inovação - órgão capaz de modificar o cenário científico no Brasil - incentivar a maior destinação de verba às instituições educacionais e de pesquisa (de ensino básico e superior), por meio de ajustes no orçamento anual do país, de forma a priorizar a questão do progresso científico. Tudo isso a fim de atri-buir a devida relevância a essa área de conhecimento no território.