A desvalorização da ciência no Brasil

Enviada em 08/05/2019

Na obra “O Mundo Assombrado por Demônios”, o célebre Astrofísico Estadunidense, Carl Sagan, retrata a frustração para com a população de seu país, a qual, apesar de altamente conectada e dependente de tecnologia é, ironicamente, alheia à ciência por trás dos aparatos. Analogamente, o cenário brasileiro não é muito diferente, em uma nação de educação extremamente negligenciada, a ciência equilibra-se tropegamente, tanto pela falta de investimentos, quanto pela parca divulgação fora dos meios acadêmicos. Com efeito, torna-se fundamental debater os impactos e consequências desse quadro, bem como maneiras de o interromper.

Em primeira análise, é fato que a escassez de recursos financeiros tem condenado os avanços científicos no Brasil ao abismo. Só esse ano, o Governo Federal anunciou o congelamento de 42% das verbas de investimento do Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, tal determinação atesta o cenário de desprestígio da ciência no país, situação que limita não apenas o progresso econômico, mas ainda o bem-estar social da população. Visto que, com a carência de recursos de ponta, a importação de produtos encarecida e nem sempre supre a demanda populacional.     Outrossim, o desconhecimento sobre ciência e sua importância fora dos círculos universitários corrobora tal panorama de negligência. Sob esse viés, conforme o pensamento do sociólogo Émile Durkheim, o corpo social, tal qual um organismo biológico, deve interagir de forma coesa e funcional. Não obstante, no Brasil, percebe-se que o conhecimento científico ainda é restrito a uma elite intelectual, de modo que o distanciamento científico arraiga sua falta de pertencimento pela população. Prova disso foi o estudo levantado pelo Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), segundo o qual, o país figura na posição 59 em um ranking composto por 65 nações. Por conseguinte, tem-se a formação de uma massa de cidadãos que se sente imprópria às tecnologias e não reconhece o valor das mesmas em aplicações simples do cotidiano.

Considerando os aspectos mencionados, torna-se claro, portanto, a necessidade de medidas para combater a situação. Dessa maneira, em virtude dos cortes públicos, cabe ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Comunicação, ampliar a verba repassada aos centros de estudo, por meio da concessão de incentivos fiscais às empresas privadas interessadas em patrocinar pesquisas. Com isso, as escolas e universidades devem oferecer oficinas ministradas professores capacitados, voltadas a crianças e adolescentes, que orientem quanto a importância da área e despertem a curiosidade, medida a ser divulgada, também, por mídias digitais e televisivas. Apenas sob tal condição, caminharemos para um enredo diferente daquele narrado por Carl Sagan.