A desvalorização da ciência no Brasil

Enviada em 02/05/2019

Carlos chagas, cientista e médico sanitarista brasileiro, chegou próximo de ganhar um prêmio Nobel devido a sua descrição sobre a Doença de Chagas. Todavia, apesar de sua substancial importância para a ciência brasileira, grande parcela da sociedade desconhece suas contribuições. Nesse panorama, insere-se a problemática da desvalorização da ciência no Brasil, seja pela inoperância estatal, seja pelo insuficiente estímulo educacional voltado para esse setor.

Em primeiro plano, é válido considerar a tríade cíclica que marca o surgimento do meio técnico científico informacional: dinheiro, pesquisa e desenvolvimento e tecnologia. Existe uma relação de dependência obrigatória entre esses fatores, na qual sem investimento não há pesquisa e nem tecnologia para gerar lucros e fazer esse ciclo funcionar. É nesse contexto que insere-se o Estado Brasileiro e sua histórica passividade e negligência frente às questões concernentes à ciência e ao seu pleno desenvolvimento. Prova disso é a pesquisa que foi realizada pela Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência a qual afirma que de cada cem reais gastos pelo Governo Federal, apenas trinta e dois centavos são destinados para o âmbito tecnológico e científico, explicitando, assim, o desinteresse do Estado em tornar o Brasil uma nação de primeiro mundo por meio da ciência e tecnologia.

Além disso, o saber científico ainda é muito distante do cotidiano e complexo para a maior parte do tecido social brasileiro. O conceito de cultura de massa, advindo da Escola de Frankfurt, afirma que para um conhecimento ser transformado em produto ele precisa passar por uma simplificação. Desse modo, as escolas têm um papel imprescindível no sentido de tornar o saber mais palpável e compreensível. Entretanto, o arcaico modelo educacional do Brasil preconiza a mecanização do pensar em detrimento do estímulo à capacidade reflexiva.

Depreende-se, portanto, a indispensabilidade de medidas que combatam essa problemática. Cade ao Governo Federal a destinação de verbas suficientes ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações para a ampliação da quantidade de bolsas voltadas para pesquisas de cunho científico - sobretudo para pós-graduandos - com o fito de fomentar o interesse social por essa área e, em consequência, trazer notoriedade e avanços, econômicos e sociais, para o país. Ademais, faz-se imprescindível uma reformulação do modelo educacional, por meio do Ministério da Educação, que insira a obrigatoriedade da exposição científica dentro e, principalmente, fora da sala de aula. Assim, decerto, a coletividade caminhará para um futuro mais otimista e que não desconhece a contribuição  indispensável de cientistas como foi a de Carlos Chagas.