A desvalorização da ciência no Brasil

Enviada em 08/05/2019

Pink e Cérebro não dominarão o mundo amanhã a noite

Para quem teve sua infância marcada por esse cartoon, isso não é novidade; os ratos de laboratório Pink e Cérebro tentam todas as noites dominar o mundo, sem sucesso. Os ratinhos são apenas um exemplo do padrão midiático de “cientista”, que personifica personagens loucos ou malvados, com planos fúteis que acarretam prejuízos à sociedade. Assim, por meio da estereotipação, a indústria midiática favorece a desvalorização da ciência, que, no Brasil encontra mais um problema: o corte de verbas cada vez maior, por parte de um governo, também alienado e inconsciente da importância da ciência para a sobrevivência e evolução humana.

Como dito, o governo Bolsonaro tem adotado uma dura política de corte de verbas em áreas educacionais. Sobretudo no ensino superior, responsável pela pesquisa científica no país; o que impossibilita muitas universidades e institutos federais a prosseguir em atividade. Para perfazer a situação crítica dos pesquisadores, a ciência é tão falsamente relacionada a ficção que sua intrínseca relação com a realidade é mascarada. E consequentemente a importância dessa carreira também.

O desenvolvimento de todas as áreas essenciais à sobrevivência humana dependem dela. A ciência, se aproxima muito mais de uma safra de milho produtiva, do que de ratos de laboratório superinteligentes, fato é, que caso cortes orçamentários continuem sendo feitos, “Pink e Cérebro” não poderão trabalhar nas próximas noites.

Como consequência às decisões do presidente brasileiro, milhares de intelectuais respeitados no mundo todo se manifestaram em favor da ciência e da educação, como consta no documento assinado por mais de 11 mil pessoas. “Como acadêmicos dos mais diversos campos, estamos plenamente con-vencidos de que nossas sociedades, incluindo o Brasil, precisam de mais, e não menos educação.(…) a avaliação do conhecimento e de sua utilidade não pode ser conduzida de modo a conformar-se com as ideologias de quem está no poder”. Mediante à crítica é possível inferir meios de ressarcir a situação.

Para tanto é necessário, instituir uma nova lei, de caráter constitucional permanente que delimite uma porcentagem mínima dos investimentos totais a ser direcionada para a educação, sob um acréscimo anual de pelo menos 3%; bem como a proibição definitiva de cortes de verba na área educacional, entendendo que essa intrínseca à ciência, é primordial para o desenvolvimento humano. Além disso, visando a valorização dos cientistas, o Ministério da Cultura deve destinar parte do incentivo da Lei Rouanet  para a produção de desenhos animados que evidenciem esses profissionais como personagens  importantes e de grande valor para a sociedade como de fato o são.