A desvalorização da ciência no Brasil
Enviada em 24/05/2019
Ocorrido ao longo do século XVIII, o movimento conhecido como Iluminismo representou um expressivo esforço por parte de artistas, cientistas e intelectuais em valorizar e demonstrar a seus respectivos países a importância da racionalidade e do pensamento científico para o avanço de uma nação. Entretanto, inobstante na contemporaneidade seja notório o destaque que os países mais desenvolvidos atribuem a seu setor de pesquisa e tecnologia, a desvalorização do pensamento científico tem sido uma constante realidade no Brasil hodierno e representado um entrave ao desenvolvimento nacional.
Segundo dados recentemente divulgados pelo Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, o Brasil é responsável pelo investimento de apenas 1,6% de seu PIB (Produto Interno Bruto) nesse mesmo ministério -valor progressivamente reduzido em função das sucessivas crises econômicas enfrentadas pelo país-, enquanto os Estados Unidos -considerada a maior potência mundial pós-moderna- investe valores superiores a 3% de seu PIB, que é seis vezes maior que o do Brasil, nesse mesmo setor. Tal investimento dos EUA garante-lhe consideráveis melhorias no quadro social, avanços na área médica e uma melhor qualidade de vida para sua população, enquanto no Brasil, a inviabilização de pesquisas de base e inovações impede, consequentemente, o progresso do país. Nesse sentido, evidencia-se como o descaso, subestimação da ciência e analfabetismo científico da classe política brasileira corroboram a perpetuação da questão.
Outrossim, o escasso desenvolvimento tecnológico no país relaciona-se diretamente com a predominância da exportação de commodities -produtos primários de baixo valor agregado- e importação de produtos manufaturados com alta tecnologia, cenário responsável por proporcionar uma grande desvantagem comercial em relação a outros países e impedir que o Brasil alcance o status de nação desenvolvida. Além disso, a falta de contato e, por conseguinte, a desvalorização da ciência pela população abre espaço para a ascensão de pseudociências e movimentos oriundos da desinformação, tais como os movimentos antivacina, capazes de desencadear até mesmo o retorno de doenças previamente erradicadas. Explicita-se, dessarte, a magnitude da questão e a urgência da tomada de medidas.
Faz-se imperioso, portanto, que o Poder Judiciário exija dos políticos condenados por corrupção e lavagem de dinheiro indenização ao Estado, cabendo à Receita Federal destinar esses recursos ao Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, o qual deverá, por meio dessa verba indenizatória, financiar pesquisas de base no país, além de fomentar a criação de novos centros de pesquisa e desenvolvimento em território nacional, assegurando-lhes suficiência de materiais e recursos para que promovam inovações nos diversos setores nos quais o país carece. Amenizar-se-á, por esse viés, o subfinanciamento e desvalorização da ciência no Brasil, revertendo a atual estagnação nacional e possibilitando o progresso, tal como previsto pelos intelectuais iluministas do século XVIII.