A desvalorização da ciência no Brasil
Enviada em 06/06/2019
A doutrina filosófico-positivista, proposta por Auguste Comte, acreditava no poder do conhecimento racional-científico de resolver os problemas da humanidade e de lavá-la ao desenvolvimento. Contudo, tal pensamento não encontra amparo no cenário atual, haja vista a crescente desvalorização da ciência no Brasil, que mostra-se inconcebível dado sua importância no progresso social, o que se deve a fatores como negligência acadêmica e inadimplência quanto à exposição científica.
Em primeiro plano, a falta de desvelo educacional configura-se como um dos pilares da desvalorização da ciência. Nesse sentido, quando o estudioso do desenvolvimento intelectual, Lev Vygotsky, afirma que a escola não deve se distanciar da vida cotidiana do aluno, corrobora sua importância em abordar certos eixos temáticos e atividades que envolvam o conhecimento científico. Todavia, as instituições de ensino, ao priorizarem, por vezes, diretrizes tecnicistas com engajamento no raciocínio lógico, não contribuem com a aproximação do indivíduo com a ciência prática em laboratórios e seus métodos. Tal cenário inibe uma maior participação dos diferentes autores no debate social necessário à reivindicação de melhores condições à ciência no país e converge na sua desvalorização perante a população, visto que o entorno social é reflexo verossímil das instituições formadoras.
Outrossim, é indubitável que a política de divulgação científica ineficiente propicia a insipiência do corpo social e não combate cortinas ideológicas que ferem a valorização do cientificismo. Isso porque, de acordo com o filósofo Schopenhauer, os limites do campo de visão de um indivíduo determinam seu entendimento do mundo. Nessa perspectiva, o panorama de desinformação evidenciado, muitas vezes, no meio social, tendo em vista a falta de uma divulgação científica integrada ao processo de pesquisa, corrobora uma visibilidade limitada no que concerne às descobertas da ciência e, unido ao conhecimento acrítico e fragmentário da realidade pelos cidadãos, potencializa a emergência de pseudociências e evidências anedóticas, como os movimentos antivacina e terraplanista.
Para que se reverta esse cenário problemático, portanto, fica a cargo do Ministério da Educação a efetivação de um ensino alicerçado na ciência moderna que, para além da simples exposição, adaptando o conteúdo para cada série, aproxime o aluno a essa área de maneira prática. Isso pode ser realizado por meio de oficinas periódicas, em parceria com universidades federais com projetos científicos, que envolvam pais e alunos, e teria por finalidade tornar o conhecimento racional-científico de domínio público, de modo a instigar o pensamento reflexivo da população e descortinar ideologias fantasiosas. Quem sabe, assim, o pensamento de Auguste Comte, de desenvolvimento social por intermédio da ciência, possa extravasar os limites da teoria e tornar-se realidade.