A desvalorização da ciência no Brasil

Enviada em 18/06/2019

Durante o século XIX, houve a substituição dos preceitos morais pelos princípios científicos, bem como o favorecimento do ideal racionalista. Com isso, a ciência tornou-se presente nas políticas governamentais, em função do desenvolvimento de atividades com interesse estatal. Nesse contexto, cabe analisar o crescimento da tendência anti-intelectualista e a baixa popularização da ciência no Brasil.

Em primeira análise, cabe pontuar o crescimento da tendência anti- intelectualista no Brasil, visto que as inovações científicas e tecnológicas são vistas como responsáveis pelas injustiças sociais. Como consequência, os “anti-intelectualistas” negam acontecimentos e questionam a veracidade de teorias científicas desvalorizando assim a educação e a pesquisa no país. Com isso, há um ataque as universidades e sistemas educacionais, de modo a retirar a credibilidade dessas instituições perante a sociedade. Exemplo disso, é visto no corte de verba na pesquisa e educação anunciado pelo atual governo, com a justificativa de que as universidades promovem “balbúrdias” e não ciência.

Além disso, é cabível enfatizar que ampla parcela da população brasileira não tem acesso à ciência e informação. Isso ocorre por conta da desigualdade social que dificulta o alcance aos recursos tecnológicos e científicos. Consequentemente, a ciência é apresentada como um empreendimento espetacular, de difícil acesso e realizada por indivíduos particularmente dotados, culminando na baixa adesão à carreira na área.

Por tanto, o aumento do anti-intelectualismo e a falta de popularização científica fazem parte dos entraves na desvalorização da ciência no Brasil. Faz-se necessário que as universidades explorem o exercício crítico, através de uma educação de intervenção e resistência, com a criação de grupos de extensão em pesquisa, com foco na alfabetização científica. É necessário também, que os meios de comunicação divulguem a produção científica, atuando na educação não formal a fim de promover equidade social e acesso à informação científica.