A desvalorização da ciência no Brasil

Enviada em 21/09/2019

Com o declínio da Idade Média, o renascimento cultural buscou rever e retomar valores clássicos, dentre os quais a ciência possui um enorme destaque. Nesse período, o filósofo e cientista Francis Bacon foi um dos principais defensores do setor científico, pois, para ele, a prática é tão benéfica que poderia ser considerada a salvação do homem. No Brasil contemporâneo, entretanto, há uma enorme desvalorização da área que, por falta de investimentos e apoio, enfrenta enormes dificuldades.

Em primeiro plano, é válido pontuar que o escasso incentivo financeiro provido aos cientistas é um  grande problema para a solidificação econômica e social de um país. Acerca dessa premissa, Estados desenvolvidos costumam ceder um grande capital para o setor, como é o caso Europeu que, segundo o jornal da USP (Universidade de São Paulo),  é responsável, usando de recursos públicos, por 77% dos financiamentos no campo. O Brasil, em contrapartida, vai de oposto a esses países, realizando inúmeros cortes que, somente em 2019, segundo o jornal folha, totalizam 42%. Desse modo, o Brasil torna-se submisso à ciência internacional. Helena Morley, em seu livro “minha vida de menina”, questiona o porquê das pessoas valorizarem tanto o estrangeiro. Uma das respostas: reflexo de como o poder encara a produção nacional.

Ademais, a população é um agente importante para cobrança de uma melhor postura do Estado com relação ao problema. No entanto, as pessoas dificilmente entendem a magnitude do descaso com a área ou não se importam, por mais que muitos entendam que é negativo. Tal cenário é consequência, principalmente, do distanciamento da ciência para com a massa. O contato inicial começa e se limita, geralmente, aos desenhos, nos quais os cientista costumam ser parecidos com o Doofenshmirtz, da animação “Phineas e Ferb”: vilões e loucos. Tardiamente, na escola, o básico lhes é ensinado e somente isso é o que levam de experiência pra vida. Assim, facilmente se constrói indivíduos ignorantes.

Diante o exposto, é evidente que medidas são necessárias para aumentar a valorização da ciência no Brasil. Inicialmente, cabe ao Governo Federal aumentar o financiamento público ampliando a porcentagem do PIB que é destinado para tal fim e, ao mesmo tempo, reforçar os incentivos fiscais já existem às empresas privadas, tornando a manutenção da profissão mais digna. Não obstante, o MEC (Ministério da Educação) deverá estimular projetos científicos de jovens desde o ensino básico, usando ferramentas como olimpíadas nacionais que descubram novos talentos, assim como feiras científicas com a presença de profissionais atuantes, fazendo com que os alunos criem perspectiva na profissão e a entenda melhor. À vista disso, talvez a ciência não salvará o homem como Bacon dizia, mas, certamente, sua valorização lhe renderá prosperidade em diversos aspectos.