A desvalorização da ciência no Brasil
Enviada em 18/06/2019
Pode-se dizer que a criação do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico), no ano de 1951, foi um marco importante para o avanço brasileiro no setor de pesquisas. No entanto, atualmente, a carência de investimentos tanto nas escolas quanto em universidades tem como resultado a desvalorização da ciência no Brasil, de modo a trazer prejuízos graves ao país, visto que o progresso econômico e social está diretamente ligado à construção de uma sociedade crítica capaz de criar projetos que beneficiem a população em geral.
Nesse viés, a carência de aplicação financeira na área científica por parte do Estado, ao contrário do que acontece em países desenvolvidos como os Estados Unidos - onde é investido 2,8% de seu Produto Interno Bruto enquanto no Brasil esse valor representa apenas 1,16% - dificulta o progresso nacional nesse setor. Isto é, sem o apoio governamental se torna irrealizável a elaboração de novos projetos para a sociedade ou aprimoramento em métodos já conhecidos, que demonstram sua importância na melhoria nas condições de vida da população por meio, por exemplo, de vacinas e medicamentos que reduziram a taxa de mortalidade no país. Como produto disso, há a estagnação na ciência e, consequentemente, do desenvolvimento tecnológico brasileiro, fato ratificador do pensamento do filósofo grego Sócrates de que “A vida sem ciência é uma espécie de morte”.
Ainda nesse contexto, a afirmação do pensador também pode ser relacionada à questão da ausência de divulgação e atenção aos projetos científicos, já que há a desvalorização dos profissionais desta área essencial para a vida e evolução humana. Diante disso, estudantes e especialistas são prejudicados mediante o desprestígio social, porquanto não há em grande parcela da população brasileira o interesse e o reconhecimento da importância da ciência, isso se deve, em parte, ao contato mínimo de crianças e jovens com experimentos e conceitos científicos do cotidiano nas escolas. Como resultado, muitos jovens desistem ou não se interessam pela carreira tecnológica, atitude justificada pelos altos índices de desemprego de cientistas, ausência de direitos e investimentos a esses indivíduos e ainda nas políticas de corte que impedem o desenvolvimento da estrada acadêmica.
Torna-se evidente, portanto, que, não obstante a gnose seja essencial ao desenvolvimento social e econômico do país ainda não é vista com o devido valor. Desse modo, com o fito de garantir a valorização do conhecimento cientifico no Brasil é necessário que o Estado invista financeiramente por meio da distribuição de bolsas de estudo a profissionais e universitários, de modo a aplicar os projetos criados no desenvolvimento econômico e social do país e também remunerar os autores da pesquisa, para com isso garantir tanto emprego e reconhecimento a esse setor quanto desenvolvimento à nação.