A desvalorização da ciência no Brasil

Enviada em 28/06/2019

O Neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, juntamente com sua equipe, desenvolveu um exoesqueleto que foi utilizado por um paraplégico na abertura da Copa do Mundo do Brasil em 2014. O jovem com deficiência motora chutou uma bola de futebol utilizando o equipamento do cientista. Esse acontecimento não recebeu a notoriedade necessária pela mídia, e o momento não foi mostrado pela maior rede televisiva brasileira. A partir desse fato, é visível que a desvalorização da ciência no Brasil é um reflexo da falta de interesse populacional a cerca da educação, sem se atentarem que a ciência é, e sempre foi, indispensável para a humanidade, visto que os avanços tecnológicos são advindos dela.                      Primordialmente, o sociólogo Zygmunt Bauman afirma que na contemporaneidade os homens seriam regidos por duas grandes tendências comportamentais o imediatismo e a superficialidade. De fato, a sociedade brasileira vai cada vez mais ao encontro do imediatismo, descartando tudo aquilo que possa demandar tempo. A ciência é algo que foge totalmente do instantâneo, pois carece de longos períodos de estudo e dedicação para que ocorra seu avanço. Porém, essa busca pelo imediato sem pensar nas consequências futuras é um grande problema, pois a ciência é essencial para o desenvolvimento do país não só economicamente, mas também cultural e socialmente.

Ademais, o corte de verbas na ciência brasileira vem agravando cada vez mais o obstáculo de depreciação científica e consequentemente tornando o Brasil mais longe de ser um país desenvolvido, dado que os territórios mais avançados investem em estudos científicos. De acordo com a revista Exame, os Estados Unidos, país desenvolvido e a maior economia mundial, investem mais de 2% do seu PIB (Produto Interno Bruto) em pesquisa e desenvolvimento. Essa situação é contrária ao que ocorre no Brasil, que segundo o jornal Folha de São Paulo, nesse ano houve um congelamento de 42% das despesas de investimento do MCTIC (Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações).

Infere-se, portanto, que a desvalorização da ciência no Brasil possui íntimas relação com a falta de interesse populacional e investimento governamental. Desse modo, o Ministério da Educação (MEC), deve por meio da oferta de debates e seminários nas escolas, orientar os alunos sobre a importância da ciência no cotidiano, levando cientistas juntamente com suas criações, com a finalidade de estimular e aproximar cada vez mais o aluno desse meio, para despertar o interesse. Visando o mesmo objetivo, o MEC pode, ainda, oferecer uma disciplina de pesquisa científica nas escolas, através de sua inclusão na base comum curricular, causando um importante impacto na consciência coletiva. Assim, observar-se-ia uma juventude progressivamente mais ligada a valorização da ciência.