A desvalorização da ciência no Brasil

Enviada em 10/08/2019

Embora a modernidade tenha trazido consigo o advento tecnológico e outras incontáveis transformações sociais graças ao emergir de novas gerações e seu ideais, ainda estamos sujeitos a cometer erros retrógrados. Em outras palavras, o desenvolvimento humano ainda é vulnerável a abalos como a questão da desvalorização científica, hoje cada vez mais ameaçadora em virtude das escolhas governamentais e, infelizmente, das próprias escolhas individuais dos brasileiros.

Diante do decadente panorama educacional no país, seria imoral comemorar os contingenciamentos dos gastos com as áreas relacionadas ao MEC (Ministério da Educação) anunciados pelo governo ainda esse ano. De acordo com uma pesquisa divulgada pela BBC, cerca de 90% da produção tecno-científica no país é feita por estudantes da pós graduação, que têm suas bolsas comprometidas pelos cortes da gestão governamental. Além disso, é igualmente vergonhoso o fato de que, em busca de algum reconhecimento profissional, os brasileiros tenham que encontrá-lo fora do país, como aconteceu com os estudantes de Goiás que desenvolveram um projeto de chiclete para astronautas e foram premiados pela NASA, nos Estados Unidos.

Ademais, existe uma corrente assertivamente preocupante denominada ‘’negacionismo’’ (do francês négationnisme), que, infelizmente, vem ganhando forças não apenas no Brasil, mas em boa parte do mundo. A vertente compromete a credibilidade científica e de áreas do conhecimento histórico, contestando, por exemplo, a veracidade do aquecimento global e do próprio holocausto. Nas palavras do escritor alemão Goethe ‘‘Não há nada mais assustador que a ignorância em ação’’.

Desse modo, não obstante a importância da ciência para o desenvolvimento intelectual das sociedades, o conhecimento científico vê-se cruelmente ameaçado no Brasil. Portanto, faz-se necessária a atuação conjunta não apenas das comunidades científicas brasileiras mas de todos os indivíduos socialmente conscientes das dimensões do problema na articulação de mais movimentos como a ‘‘Marcha pela Ciência’’ de modo a protestar contra as medidas governamentais e, ainda, tornar a ciência uma pauta para todos. O governo, por sua vez, poderá criar mais fundos de investimento para o aumento de bolsas CNPqs (do Conselho Nacional de Pesquisa) financiando mais projetos de relevância nacional, e investir na educação básica em escolas públicas como um todo, para que mais indivíduos tenham acesso à ‘‘janela da educação’’.