A desvalorização da ciência no Brasil

Enviada em 20/07/2019

A Constituição Brasileira de 1988, estabelece por lei medidas de incentivo à inovação e à pesquisa científica e tecnológica, com vistas à capacitação tecnológica, para alcançar autonomia produtiva. Entretanto, movimentos políticos recentes estão indo na contramão dessa norma, o mais recente corte foi de 12% para 2019. A desvalorização deve-se ao caráter imediatista da sociedade e leva a um quadro de atraso científico e consequentemente econômico, com o Brasil perdendo espaço no cenário mundial.

Em primeiro plano, desvalorização da educação e da produção científica ocorre por se caracterizarem como um investimento de longo prazo. Segundo o Sociólogo polonês Zygmunt Bauman, vivemos em uma modernidade líquida, ou seja, uma sociedade na qual as relações sociais são fracas e o individualismo, em conjunto com o imediatismo reinam. Seguindo essa nova conjuntura, a produção cientifica perde o enfoque, visto que, a atual mentalidade brasileira favorece a importação de tecnologias e não a produção de novas tecnologias.

Por conseguinte, essa mentalidade e consequente retirada de investimentos da ciência no Brasil, geram um quadro que contrasta com as conquistas que a ciência já trouxe para o país. No passado, os avanços científicos levaram a nação ao nível econômico no qual nos encontramos hoje, primeiramente para superar a Crise do Petróleo de 1973, com o Proálcool, substituindo a gasolina pelo etanol e posteriormente, a EMBRAPA, proporcionou, com a calagem, a expansão da fronteira agrícola para o centro-oeste, transformando o Brasil no maior produtor e exportador de grãos do mundo. Com isso, percebe-se que a produção científica é fundamental e anda junto com o crescimento econômico, que, por vezes, é usado como desculpa para a retirada de dinheiro nessa área.

Portanto, deve haver uma intervenção estatal urgente para essa situação. O Ministério da Ciência e Tecnologia, em parceria com o da Educação, deve criar centros de pesquisas, com ampla infraestrutura e dotados das tecnologias mais avançadas, que reúnam cientistas em prol do surgimento de inovações que possam ser implantadas na sociedade, de modo a promover, sobretudo, o desenvolvimento social e econômico do país, mostrando sua função para a sociedade, que nos dias de hoje aparentam desconhecer. Essas medidas vão proporcionar melhoria da visão da ciência no país e reconhecer sua importância, superando o imediatismo da liquidez moderna e, com essa mudança de visão, somado ao resultado na economia brasileira, cada vez mais se investirá na produção científica no Brasil.