A desvalorização da ciência no Brasil

Enviada em 28/07/2019

Pesquisa divulgada pelo instituto Datafolha nas últimas semanas revelou que cerca de 7% da população brasileira acredita na teoria de que a Terra é plana, o que evidencia o estado de calamidade em que se encontra a ciência no país: desvalorizada e desacreditada. Isso se deve aos ataques que a educação tem sofrido, tanto da parte do governo - que acredita na ideia de que ela é gasto, não investimento - quanto da população - que tende a desconhecer e criticar a produção científica do Brasil. Diante disso, é preciso conhecer os diversos estigmas desse problema, na propensão de solucioná-lo.

Em primeira instância, vale pontuar que a desvalorização a qual a ciência tem passado possui estreita relação com as falácias e ações do governo federal. Desde o início do ano, começo do mandato do atual presidente Jair Bolsonaro, o recurso destinado às universidades, os tecnopolos que detêm a maior parte da produção científica no Brasil, sofreu um corte drástico de 30%, divulgado e justificado pelo Ministério da Educação (MEC). Segundo ele, a medida entrou em vigor devido à crise econômica que o país perpassa, sendo a educação, dessa forma, gasto, e não investimento. Esse fato, associado aos discursos que o presidente declama sobre a educação no país - como chamar os estudantes das universidades federais de “massa de manobra” e “idiotas úteis”, têm levantado um sentimento de anticientificismo na população, consequentemente acentuando a desvalorização da produção científica. Dessa maneira, a superação desse dilema configura-se como um importante dever político nacional.

Além disso, o desconhecimento da população do que se passa e se produz no meio acadêmico dos tecnopolos é um mecanismo intenso dessa impasse. Isso porque, sem conhecer a produção científica e tecnológica praticada nas universidades, a comunidade acaba vítima do pouco que lê e recebe da mídia. Associado a isso, a pouca relevância dada às produções científicas pelos meios de comunicação acaba a restringir ainda mais o conhecimento dos indivíduos, agravando o panorama. De acordo com Karl Marx, sociólogo do século XIX, os meios de comunicação de massa são instrumentos utilizados com a finalidade de propagar o que a classe dominante considera viável. Dessa forma, estaria ela interessada em divulgar a ciência e tornar a sociedade crítica e detentora do conhecimento?

Infere-se, portanto, que os ataques praticados à educação são importantes vetores da problemática. Destarte, é imperativo que o MEC reveja os cortes praticados este ano contra as universidades do país, buscando diálogo e soluções para que a ciência não tenha posição secundária no cenário nacional. Ademais, deve também o MEC, em parceria com a mídia, promover campanhas de conscientização a respeito da produção científica brasileira, com exposições físicas das produções nas universidades, objetivando que a sociedade tenha conhecimento do que está sendo feito e reveja seu posicionamento.