A desvalorização da ciência no Brasil

Enviada em 29/07/2019

O lema “Ordem e Progresso” da bandeira nacional apresenta um caráter positivista, aludindo à ideia de adotar o cientificismo como fundamento principal do meio social. No cenário brasileiro hodierno, a proposta interpretativa dessa frase não foi aplicada praticamente, já que o meio científico é bastante menosprezado socialmente, panorama derivado da preferência nacional ao senso comum e do domínio elitista nacional.

Primeiramente, é válido ressaltar o estereótipo nacional do “brasileiro preguiçoso” não é tão distante quando nos referimos à realidade reflexiva da sociedade. O ato de pensar se diferencia do ato de refletir, sendo que o primeiro se refere à uma ação natural e instantânea do ser humano, enquanto que o segundo se refere à uma atividade voluntária e com maior tempo de concretização. Dessa forma, é notável que a cultura do senso comum adotada pela sociedade dificulta o exercício de reflexão geral, uma vez que tal modo de pensamento não se preocupa em produzir fundamentações teóricas bem aprofundadas sobre os fenômenos cotidianos, se satisfazendo com as observações meramente superficiais produzidas pelo meio coletivo. Isto posto, o descaso social na prática reflexiva impede a construção de uma cultura nacional que valorize a investigação científica.

Em segundo lugar, a dificuldade social no desenvolvimento de novas formas de conhecimento beneficia determinados estratos sociais. Segundo a Escola de Frankfurt, o monopólio dos meios de comunicação pela elite social permite o domínio, por parte dessa classe, de todas as informações que são difundidas por esses meios virtuais, de modo a propagar somente o que lhe é mais apropriado, gerando um conduta social homogênea. Considerando a ciência como forma de aquisição de conhecimento, a alienação social causada pelas ferramentas informativas seria dificultada pelo incentivo a uma cultura nacional científica, que preconizaria a adoção de um pensamento próprio.

Portanto, é indiscutível que o enaltecimento de uma perspectiva científica no âmbito nacional se manifesta de maneira dificultosa. É necessário que o Ministério da Educação estimule modificações no sistema de instrução atual, por intermédio da adoção frequente de aulas interdisciplinares e interativas que incentivem a exploração da teoria pedagógica ensinada em sala de aula na explicação dos diversos fenômenos cotidianos, a fim de incentivar uma desvalorização da dinâmica funcional do senso comum. Outrossim, o Ministério da Ciência e Tecnologia deve valorizar um política de “desalienação” social nos meios sociais, mediante a criação de anúncios e propagandas que explorem mais a dubiedade de certos episódios nacionais do que a adoção de um raciocínio tendencioso genérico sobre eles, com o fito de valorizar uma perspectiva individual sobre o tema.