A desvalorização da ciência no Brasil

Enviada em 02/08/2019

No século XIX, os ideais do Positivismo, filosofia fundada por Augusto Comte, contribuíram com a solidificação da razão na sociedade e revolucionaram a forma do homem de pensar e se relacionar com o mundo. Na contramão, o Brasil do século XXI promove ações que imobilizam o desenvolvimento da ciência e da tecnologia, fato que afeta negativamente a pátria e seus cidadãos. Diante disso, urge a análise acerca das consequências e possível minimização desse entrave.

Primeiramente, é importante salientar o descompasso do Brasil ante os países desenvolvidos como efeito da falta de investimento em áreas como pesquisa, desenvolvimento e inovação industrial. Nesse contexto, segundo matéria publicada no site Época Negócios, o país se torna constantemente dependente da importação de ideias e estudos das nações que valorizam adequadamente a ciência e a tecnologia. Assim, o conhecimento se limita a um mero produto estrangeiro a ser consumido e é minimamente fomentado dentro do próprio território. Destarte, é inaceitável que o Estado permaneça nessa posição de boicote à evolução da sua nação.

Em segunda análise, tem-se a defasagem educacional e a pobreza como demais legados desse fenômeno. Nesse sentido, de acordo com Paulo Freire, pedagogo e filósofo pernambucano, a educação por si só não transforma a sociedade, porém, sem ela, tampouco a sociedade muda. Logo, haja vista a falta de oportunidades proeminente em um país no qual a educação e a ciência são questões secundárias, as pessoas pertencentes às camadas menos favorecidas da população são as mais afetadas e impossibilitadas de mudar de vida enquanto a parcela abastada possui meios para acessar conteúdo de qualidade em instituições situadas no exterior. Diante dessa conjuntura, é inadmissível que os cidadãos brasileiros sejam aprisionados a tais condições paralisantes, privados de incentivo a um futuro promissor.

Depreende-se, portanto, que a desvalorização da ciência no Brasil é um fator que provoca retrocesso e desigualdade e, por isso, requer uma solução. Para tanto, a mídia e a imprensa escrita, em parceria com as entidades de ensino, estudantes e pesquisadores, devem destacar a imprescindibilidade da ciência, com a divulgação de seus resultados positivos para a sociedade e histórias de vidas que por ela foram efetivamente transformadas, por meio de reportagens e matérias publicadas em revistas de alcance popular. Tal ação tem como fim alertar o corpo social de que os cortes nos recursos destinados ao campo científico são infrutuosos para todos, bem como conduzir o Poder Público a considerar esse âmbito de maneira prioritária. Feito isso, a Bandeira Nacional poderá sustentar coerentemente a frase de viés positivista a qual exibe entre suas cores vibrantes.