A desvalorização da ciência no Brasil
Enviada em 11/08/2019
O iluminismo foi um movimento intelectual que ocorreu na Europa nos séculos XVII e XVIII e ficou conhecido como o século das luzes. Nesse período, a ciência começou a ganhar espaço sob a religião, pois começou a ser vista como um fator crucial de enriquecimento cultural e de ampliação da visão de sociedade. Hodiernamente, a ciência ainda não é valorizada no Brasil. Nesse cenário, isso é resultado da precariedade do ensino básico e do descaso governamental em relação ao seu avanço. Destarte, faz-se pertinente debater acerca dessa problemática.
A priori, é imperioso destacar que, de acordo com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), universidades públicas realizam mais de 95% da ciência no Brasil, no entanto, segundo o Índice de Desenvolvimento Humano, aproximadamente 12% da população brasileira não é alfabetizada, isso quer dizer que cerca de 22 milhões de pessoas não sabem ler, escrever e nem dominar cálculos. Sendo assim, observa-se o quão distante grande parte da população está de ser um cientista, consequência da precariedade no ensino base. Desse modo, milhões de pessoas permanecem, muitas vezes, sem incentivo, conhecimento e informações sobre como a ciência é indispensável para o avanço do país.
Outrossim, vale ressaltar que, a Constituição Federal de 1988 assegura que é dever do Estado promover e incentivar o desenvolvimento científico, entretanto, ele a negligencia. Verifica-se, a veracidade disso, ao analisar que o Governo Federal anunciou em 2019 o congelamento de 42% das despesas de investimentos do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). Dessa forma, o insuficiente investimento na educação e o corte de gastos, afeta diretamente a evolução da produção cientifica, pois impede inúmeros pesquisadores de darem continuidade em seus respectivos trabalhos, pela falta de equipamentos, materiais e bolsas de apoio e moradia. Portanto, a falta de visibilidade impede a geração de produtos, melhoria da condição social, além do desenvolvimento econômico em larga escala.
Diante desse panorama, faz-se imprescindível a tomada de medidas ao entrave abordado. Para tanto, cabe ao Governo Federal, juntamente com o Tribunal de Contas da União, fiscalizar incisivamente, da origem até o destino do dinheiro empregado na educação, por meio de auditorias anuais em cada Estado, a fim de que um maior número populacional, chegue a universidade. Ademais, é mister que o Governo Federal, promova um remanejamento de gastos públicos, mediante, por exemplo, a destinação de uma maior percentagem do Produto Interno Bruto, o qual favoreça o investimento no ramo de pesquisa e desenvolvimento. Espera-se, com isso, que a ciência seja valorizada de fato no Brasil.