A desvalorização da ciência no Brasil

Enviada em 25/08/2019

No contexto Iluminista na Europa, a ciência era vista como uma ferramenta de libertação de toda a alienação imposta pela Igreja Católica. Naquele período, os estudiosos que desafiaram as convenções religiosas proporcionaram descobertas até hoje relevantes, como a eletricidade. Contudo, no Brasil, nos dias de hoje, a problemática da desvalorização da ciência leva a sociedade a refletir sobre as causas e possíveis soluções para esse quadro negativo. Assim, é lícito afirmar que a conduta governamental e a inércia de parte da sociedade civil colaboram para esse revés.

Em primeiro plano, evidencia-se, por parte do Estado tupiniquim, um desmonte irresponsável da pesquisa científica nacional. Essa lógica é comprovada pela política de descredibilização que passam alguns órgãos científicos que trabalham com dados quantitativos. Prova disso é o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que teve seu diretor demitido após a divulgação de dados alarmantes sobre o desmatamento na Amazônia, que contrariaram os interesses de alguns grupos políticos. Desse modo, o Estado brasileiro, em benefício de interesses privados, atua como agente perpetuador da desvalorização da ciência. Logo, é substancial a mudança desse quadro nocivo.

Outrossim, é imperativo pontuar que parcela da sociedade civil, com sua postura inerte, também contribui , indiretamente, para a situação precária em que se encontra a ciência no país. Isso decorre, do fato de não existir um estímulo à produção científica na educação básica, o que faz com que o cidadão comum não enxergue a importância de viver em uma nação que produza conhecimento. Sob esse aspecto de necessidade de incentivo para mudar o pensamento e o comportamento, John Locke, filósofo inglês, diz: ‘‘O ser humano é como um tela em branco preenchida por estímulos e influências’’. Dessarte, nota-se, na perspectiva do pensador, que é necessário colocar o indivíduo em contato com a ciência para que ele possa, por sua vez, tornar-se um ser valorizador dela.

Infere-se, portanto, que Estado e sociedade são agentes fundamentais para a construção de uma ciência valorizada. Posto isso, o Ministério da Ciência e Tecnologia deve, por meio de repasses de verba complementar e com o objetivo de aumentar a autonomia e estrutura dos institutos científicos de pesquisa, executar um Plano Nacional de Incentivo à Ciência no Brasil. Esse plano funcionará, principalmente, como um programa governamental de reconhecimento da importância de órgãos dessa natureza. Somado a isso, tal programa deve prever a criação de laboratórios em escolas públicas em todo o território nacional, que mostrarão aos brasileiros, desde a idade escolar, a relevância da ciência no cotidiano. Com isso, o pensamento iluminista poderá prevalecer também no Brasil do século XXI.