A desvalorização da ciência no Brasil
Enviada em 05/10/2019
Os mecenas, no período do Renascimento Cultural, século XIV ao XVI, protetores dos intelectuais, patrocinavam as produções artísticas e o desenvolvimento da ciência para obterem um certo prestígio social da época. Muito embora esse cenário esteja anos atrás da contemporaneidade, diversos conhecimentos adquiridos são, ainda, essenciais no cotidiano. Diante disso, faz-se pertinente combater a desvalorização da ciência no Brasil para promover a independência dentro da comunidade internacional, desenvolver aparatos futuros aplicáveis e incentivar a permanência de ‘‘cérebros’’.
Em primeira análise, é imperioso destacar que o desenvolvimento de pesquisas científicas, principalmente promovida por mecanismos governamentais, cria um ambiente propício para a geração de tecnologias nacionais, as quais trarão retornos tanto econômicos como de prestígio acadêmico internacional. Isso porque, será possível, além de desenvolver tecnologias pertinentes ao país, vender, de certa forma, esse conhecimento para o mercado externo. Para evidenciar a importância da autonomia científica de um país, a Alemanha, nação caracterizada como desenvolvida, investirá 160 bilhões de euros para universidades e centros de pesquisa a partir de 2021 - dados divulgados pelo site G1. Esse fato comprova a importância contínua do incentivo à produção de ciência no contexto nacional. Logo, em concordância com o pensamento de Sócrates, a vida sem ciência é uma espécie de morte, pois não há soberania intelectual.
Outrossim, é indispensável pontuar que, no século XXI, devido à crescente demanda por inovação, nas mais diversas áreas do conhecimento, o descaso científico e tecnológico causa uma ruptura com a criação de facilidades cotidianas e aplicabilidades futuras, desenvolvidas dentro do país. Isso se torna mais claro, por exemplo, ao se observar cientistas brasileiros renomados, altamente qualificados, emigrarem do Brasil, a denominada ‘’evasão de cérebros’’, devido à falta de retorno financeiro e prestígio. Desse modo, com a desvalorização da ciência, há um crescente fluxo, unidirecional, para o exterior, de conhecimentos que promoveria o caráter desenvolvimentista nacional e que agregaria valor para gerações futuras. Em vista disso, faz-se mister a reformulação dessa conjuntura.
Depreende-se, portanto, que o Ministério da Educação, para combater a negligência científica, deve patrocinar, por meio de bolsas estudantis e compra de produtos laboratoriais, pesquisas acadêmicas, nas mais diversas da áreas do conhecimento, e, além disso, promover ambientes os quais os indivíduos envolvidos possam, de forma integral e independente, dedicar seu tempo aos estudos. Para maximizar essa ação, o Estado deve contar com o apoio de empresas privadas, por meio do abatimento de impostos, para o pleno patrocínio cientifico e o renascimento cultural brasileiro.