A desvalorização da ciência no Brasil
Enviada em 26/09/2019
No cenário brasileiro hodierno, verifica-se o escasso interesse da população em aderir aos assuntos referentes à ciência, fato esse que resulta em sua plena desvalorização no âmbito contemporâneo. Nesse sentido, é válido destacar as noções modernas de superficialidade e imediatismo,aderidas pelo homem vigente, como as principais precursoras dessa desmotivação coletiva, atreladas ao despreparo governamental em elaborar políticas de pesquisa e iniciativa científica. Dessa maneira, surge um grande problema a ser resolvido, tendo em vista a incidência negativa dos aspectos supracitados sobre a perspectiva desenvolvimentista do Brasil.
A princípio, o mundo moderno trouxe novas diretrizes ideológicas e sistemáticas, que influenciaram, de modo significativo, na percepção do indivíduo sobre as questões de adesão e busca de conhecimentos científicos. Nesse prisma, observa-se o surgimento da lógica capitalista e sua expansão no âmbito social atual como uma das ferramentas que possibilitaram o desenvolvimento de uma grande problemática relacionada ao assunto, sobretudo, pelo ideal de simplificação e superficialidade na disposição de mercadorias e recursos. Nesse contexto, os produtos e conhecimentos, sejam eles da arte ou de outros ramos, são processados e simplificados em um processo chamado, pelos críticos da Escola de Frankfurt, de Massificação Cultural. Dessa forma, os indivíduos moldam-se aos padrões de diluição e recorte de informações propostos, de tal forma que perdem o apreço pela pesquisa e aprofundamento de dados, incluindo, nesse contexto, o desinteresse no estudo e aprofundamento das inciativas científicas.
Outrossim, ressalta-se a noção do imediatismo como um outro pilar para a propagação do descaso referente ao estudo de ciências no Brasil. Segundo Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, esse ideal, criado pela modernidade líquida, está atrelado ao desinteresse da coletividade em apropriar-se, de modo embasado, aos conhecimentos fundamentados no mundo científico. Por conseguinte, constrói-se uma população escassa de conhecimentos pautados nas ciências, impedindo os avanços em áreas como a medicina e farmacologia, e desenvolve-se uma percepção de analfabetismo científico. Ademais, os órgãos governamentais ainda são falhos na criação de políticas de incentivo ao estudo e pesquisa científica, contribuindo para a elevação dessa problemática.
Portanto, o Governo, haja vista seu prestígio e função social, deve mitigar os ideais de imediatismo e superficialidade no processo de adesão de conhecimentos científicos, por meio da criação de programas de incentivo à pesquisa e iniciação científica, com bolsas e auxílios, com a finalidade de obter benefícios desenvolvimentistas para a nação brasileira como um todo.