A desvalorização da ciência no Brasil

Enviada em 07/10/2019

Na Copa do Mundo de 2014, o tetraplégico Juliano Pinto conseguiu chutar uma bola com o auxílio de um exoesqueleto, produzido pelo neurocientista brasileiro Miguel Nicolélis, cena que não foi exibida pela Globo, maior rede de televisão brasileira. Esse ocorrido é um exemplo da desvalorização da ciência e da sua produção, situação que se repete na contemporaneidade brasileira. Nesse cenário, dois aspectos fazem-se relevantes: a falta de investimento governamental e o aumento da divulgação de fake news.

Em primeiro plano, vale ressaltar que o descaso estatal com a produção científica no país é um dos principais fatores de inferiorização da pesquisa no Brasil. Nesse contexto, dados do jornal “Estadão”, divulgados em 2016, indicam que houve, nesse ano, a pior crise financeira da história dos institutos da ciência dependentes do Governo Federal, em virtude da má gestão estatal. Como resultado, observa-se uma grande descrença quanto à ciência brasileira, o que desestimula a escolha dos jovens por essa área e propicia a fuga de cérebros - evidenciada por dados divulgados pelo site Uol em 2017 -, devido à elevada imigração de mão de obra qualificada para países onde os pesquisadores dispõem de infraestrutura adequada e de um elevado apoio estatal.

Ademais, é inegável que, no Brasil hodierno, tem-se como consequência da desvalorização científica, a elevação da divulgação de informações não fundamentais, denominadas fake news. Nessa perspectiva, conforme o filósofo Adam Smith, a ciência é o grande antídoto contra os venenos do entusiasmo e da superstição. Por conseguinte, notícias falsas, disseminadas pelas mídias sociais, passam a ser mais facilmente aceitas pelos indivíduos, de forma a negar os fatos acadêmicos estudados e comprovados, que prejudica ainda mais a produção científica no Brasil é gera prejuízos sociais. Exemplo disso é a ressurgência de doenças já erradicadas, tais quais o sarampo, em virtude da ascensão de movimentos contraditórios ao pensamento científico, como o anti-vacina.

Urge, portanto, que medidas sejam tomadas, a fim de que resolva a problemática em questão. O Governo Federal, deve demonstrar mais interesse no progresso científico nacional, estimulando o apoio à Ciência do país, por intermédio do aumento da destinação de recursos financeiros às pesquisas universitárias, a fim de promover o desenvolvimento tecnológico da nação. Outrossim, é necessário que o Ministério da Educação desminta as fake news é divulgue informações verídicas, como vistas a elevar o nível de esclarecimento da população. Assim, a produção científica será devidamente valorizada é divulgada no Brasil, de forma que situações como a ocorrida durante a Copa do Mundo de 2014 não se repitam.