A desvalorização da ciência no Brasil

Enviada em 14/10/2019

Baseado na história recente do Brasil, com a recente absorção do Ministério da Ciência, Técnologia e Inovação pelo Ministério da Comunicação em 2016 e pelo posterior corte de 80% no orçamento dessa mesma área em 2017, fica evidente que exista um movimento de forte desvalorização cultural do pensamento científico em nossa sociedade, culminando em consequente atraso tecnológico e marginalização da classe científica.

Quando analisamos o pensamento popular, extraímos uma raiz cultural onde a própria figura do cientista e do pesquisador parecem soar mais como um “hobby” do que como uma profissão propriamente dita. Tanto é que até hoje formações acadêmicas nas áreas de Física, Matemática Aplicada e Biologia, por exemplo, não possuem Conselhos Regionais que os representem e assegurem direitos básicos como férias, décimo terceiro, seguridade nacional (INSS), etc. A alcunha de “cientista” então cai na trivialidade de uma figura curiosa que gasta seu tempo livre descobrindo coisas que ninguém nunca pensou antes; nada mais.

Somando a essa figura caricata e mal compreendida do cientista, está uma sociedade já acostumada, desde a época da Colonização, a importar do exterior produtos que não desenvolvemos em território nacional, fato esse notado pelo contínuo déficit da balança comercial importação-exportação. Essa raiz comercial e consumista sobrepuja ainda mais o fomento de tecnologia interna e acaba por asfixiar qualquer fôlego de inovação e interesse científico que se possa sonhar, razão essa para o atraso tecnológico do qual nunca parecemos escapar.

Dessa forma, faz-se necessário que o Poder Público, através da valorização do estudo das ciências desde a idade mais tenra do cidadão, passe a focar na evolução das tecnologias como arma para conquistar soberania nacional, independência criativa e melhorias gerais nas condições de vida. Consequentemente, a valorização do pensamento científico junto com a figura do profissional cientista/pesquisador viria em decorrência dessa mudança mais ampla e profunda de visão de mundo e, o principal, viria através de uma nova geração de crianças e jovens engajados em problemas reais da sociedade moderna.