A desvalorização da ciência no Brasil
Enviada em 19/10/2019
Marie Curie revolucionou o meio científico no fim do século XIX e início do XX por incontáveis contribuições e descobertas, dentre elas a da radioatividade e de novos elementos químicos, e por ser a primeira mulher na história a ganhar um Prêmio Nobel. Muito distante de todos os esforços e enfrentamentos da polonesa pela ciência, o Brasil vive um período de desvalorização significativa e preocupante dessa esfera. Uma conjuntura desencadeada pela falta de informação da população associada ao subfinanciamento do Poder Público que gera diversos efeitos negativos e a necessidade de uma análise e mudança desse quadro.
Primeiramente, é válido entender o cenário de distanciamento entre grande parte da sociedade e a ciência. Durante a transição da Idade Média para a Moderna, o Iluminismo surgiu como uma corrente que buscava superação das ideias estagnantes da “idade das trevas” e a valorização da razão. Diante disso, é possível estabelecer um paralelo à situação do Brasil, pois, mesmo que em menor grau, muitos ainda estão desinteressados ou permanecem resistentes a alcançar esse esclarecimento sobre a importância das pesquisas, experimentos e criação de teorias e tecnologias para o crescimento do país. A falta de divulgadores desse trabalho e a introdução tardia dessas noções na escola fomentam a problemática e trazem consequências como a ascensão de crenças não-científicas como os movimentos terraplanista e antivacina.
Ademais, é fundamental apontar a falta de incentivos do Governo a esse campo e como isso contribui para o atraso econômico do país. Segundo a SBPC (Sociedade Brasileira pelo Progresso Científico), de cada cem reais gastos pelo Governo Federal, apenas 32 centavos vão para a ciência. Isso mostra o porquê de as universidades, que são os principais centros de pesquisa do país, estarem sucateadas, sem recursos para a manutenção ou criação de projetos nessa área. Tal negligência é responsável pelo fenômeno da “fuga de cérebros”: migração de grandes cientistas, como Miguel Nicolelis, criador do exoesqueleto, para países desenvolvidos, fortificando a dependência externa.
Logo, medidas são necessárias para que a ciência seja priorizada por toda a sociedade brasileira. O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação deve receber uma maior parte da renda da União para que amplie esse campo, aproximando a ciência da população. Isso deve ser feito por meio de projetos de divulgação nas escolas com palestras e feiras sobre o valor desse âmbito e já atrair promessas de grandes pesquisadores. Assim, indivíduos dedicados à ciência e com responsabilidade coletiva como Marie, serão mais numerosos e encorajados a trabalhar pela transformação do Brasil.