A desvalorização da ciência no Brasil
Enviada em 17/01/2020
A ciência pode ser definida como um processo de investigação que lida com conclusões provisórias, segundo a bióloga formada pela USP, Natália Pasternak. De fato, ela se reiventa a partir de novos métodos e evidências e nos proporciona uma melhor qualidade de vida e menos impacto ambiental. Entretanto, a institucionalidade da ciência vive uma crise de identidade, uma vez que a desconsideração da metodologia científica encontra suas causas não só na falta de investimento, mas também na ausência de diálogo entre cientistas e população.
A princípio, cumpre ressaltar que a ciência não é objeto de prioridade por grande parte da conjuntura política. Para corroborar tal visão, basta revisitar os números do corte de gastos feitos em 2019 do Ministério da Ciência Tecnologia Inovações e Comunicações (MCTIC) que são da ordem de 42%, como aponta a Folha de São Paulo. Esse contingenciamento, no entanto, tem como finalidade reduzir o teto de gastos e obedece a uma concepção que preza por investimentos que trazem retorno rápido, a saber: atividades do setor primário. Entretanto, a redução do país à condição de mero modelo extrativista, remonta aos tempos de colonização, onde se criou toda uma atmosfera para drenar recursos de maneira desmedida e arbitrária, sem se preocupar com o aspecto ambiental, social e econômico. Paralelamente à essa dimensão omissiva do governo, observa-se uma afastamento entre a comunidade científica e população. Isso decorre em face da ausência de divulgação da mídia em relação a esse conteúdo, já que ela depende de anunciantes que de antemão sabem o que é consumido virtualmente pela sociedade e que, portanto, não encontram no público o interessse, pois estes desconhecem a importância da ciência, uma vez que trata-se de conhecimento acadêmico e de linguagem que não é de fácil entendimento. Consequentemente, essa desinformação atua como um inibidor de reivindicações, já que o obscurantismo, enquanto tal, solapa à condição de fomentar o pensamento crítico que seguido de uma mobilização, poderiam fazer com que autoridades reconsiderem a importância de se investir na pauta orçamentária de caráter científico.
Sendo assim, percebe-se que a desvalorização da ciência vai do volume insuficiente de investimentos a uma compartimentação que separa a população da ciência. Logo, a tentativa de resolução desse impasse passa por um aumento do repasse do Governo Federal via MCTIC à unidades de pesquisa com finalidade de viabilizar pesquisas que estão em andamento e retomar as que estavam paradas. É imprescindível também que anunciantes, iniciativa privada e mídia instruam o indivíduo com uma linguagem acessível por intermédio de incentivos à canais no “You Tube” que aboradem assuntos de natureza científica. Espera-se com isso um país menos independente e muito mais desenvolvido.