A desvalorização da ciência no Brasil

Enviada em 16/04/2020

O filósofo Thomas More, na obra “Utopia”, em 1516, retrata uma sociedade perfeita, na qual o corpo cívico não tinha conflitos e problemas. Na realidade, entretanto, esse ideal não é atingindo, quando se trata da desvalorização da ciência no Brasil, hodiernamente. Isso ocorre, tanto pela falta de sapiência social sobre as pesquisas produzidas, quanto o deficit de investimento governamental na área.

Impede ressaltar, primeiramente, que a ausência de compreensão da população sobre o papel da ciência prejudica a sua valorização. Desse modo, os cientistas devem relembrar aos cidadãos os grandes avanços científicos que transformaram a pirâmide demográfica – com maior número de idoso – aumentando a expectativa de vida. Assim, destaca-se, o ano de 1980, com a erradicação da varíola, segundo a OMS, pela criação e aceitação da vacina. Logo, é lícito afirmar que prevenções e curas de doenças, no século XXI, é decorrente do progresso laboratorial, acadêmico e científico, o qual requer expressão social para ter força e continuar a trazer benefícios a vida.

Outrossim, é mister enfatizar que a escassez de verbas, pelo o governo, intensifica a desvalorização da ciência. De acordo com John Locke, é dever do Estado proteger e expandir os direitos a todos os cidadãos. Assim, os representantes governamentais contradizem as ideias do filósofo, quando diminuem o dinheiro na pesquisa ou não se interessam pela manutenção da área, vilipendiando a lei de progresso. Desse modo, depreende-se que, ciência é investimento não dívida, visto que o crescimento dessa é diretamente proporcional ao desenvolvimento econômico do país e a melhoria na qualidade vida dos indivíduos.

Em síntese, é indubitável que a falta de incentivo moral e financeiro, na ciência, impacta, negativamente, o desenvolvimento geral do Brasil. Portanto, cabe as instituições científicas criarem projetos acadêmicos que aproximem a sociedade ao meio, mediante exposições, palestras e oficinais, a fim de tornar público e visível os progressos alcançados na área da ciência, haja vista a influência que ocorrerá na construção do conhecimento e respeito popular. Ademais, o Governo – como instância máxima administrativa – deve fomentar todos os níveis de pesquisas, da bancada ao ensaio clínico, mediante bolsa e repasses de verbas, com o fito de ampliar os laboratórios e conclusões de projetos. Sob essa perspectiva será possível desenvolver uma comunidade baseada na utopia de More.