A desvalorização da ciência no Brasil
Enviada em 11/05/2020
Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, a modernidade é caracterizada pelo imediatismo e pela superficialidade. Com isso em mente, torna-se fácil compreender a atual desvalorização da ciência no Brasil. Uma vez que o método científico é baseado na observação, na pesquisa e na formulação de hipóteses, este demanda muito mais tempo e investimento do que o conhecimento obtido através do senso comum. Dessa forma, a ciência tem sido cada vez mais desvalorizada no país, o que é evidenciado pelo corte de verbas nas universidades públicas e pelo surgimento de movimentos contrários às descobertas científicas, como o movimento anti-vacina e o movimento terraplanista.
Em primeiro lugar, o sucateamento da educação pública brasileira é reflexo da desvalorização científica no país. No início de 2018, o governo brasileiro declarou o contingenciamento de 30% da verba das universidades públicas do país. Com isso, muitas universidades fecharam ou viram-se obrigadas a reduzir os investimentos em pesquisa científica. Nesse cenário, o número de profissionais qualificados que saem do país em busca de melhores condições para desenvolver suas pesquisas, fenômeno conhecido como “fuga de cérebros” , vem crescendo cada vez mais.
Por outro lado, há uma valorização cada vez maior do senso comum e da pseudociência. Assim, movimentos como o anti-vacina têm representado um retrocesso ao conhecimento científico, com o reaparecimento de doenças já erradicadas como o sarampo e a poliomielite. Portanto, o reconhecimento acerca da importância da ciência como origem do desenvolvimento é essencial para o progresso do pais.
Logo, é de fundamental importância que medidas sejam tomadas a fim de garantir uma maior valorização da ciência no Brasil. Para isso, cabe ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação aumentar os investimentos em pesquisa nas universidades brasileiras e ampliar a política de divulgação científica, visando não só o desenvolvimento da ciência no país, mas também o conhecimento, por parte da população, dos avanços científicos e de sua importância. Ademais, as instituições de ensino devem ser responsáveis pela formação de indivíduos críticos e pelo incentivo à ciência, por meio de aulas práticas, debates e visitas à museus. Somente assim será possível formar uma sociedade crítica e proporcionar melhores condições para o desenvolvimento científico no Brasil.