A desvalorização da ciência no Brasil
Enviada em 14/05/2020
No século XIX a invenção do microscópio acromático, por Louis Pasteur, permitiu um grande avanço das pesquisas científicas e a descoberta de várias doenças a partir do estudo de bactérias. Entretanto, a conjuntura contemporânea demonstra que a desvalorização da ciência e o seu consequente retrocesso representa uma realidade cada vez mais concretizada no contexto brasileiro. Nesse sentido, a falta de financiamento e a queda na oferta de bolsas de estudo são fatores que comprometem o avanço científico e, de forma conjunta, o desenvolvimento nacional.
Em primeiro plano, o sociólogo Zygmunt Bauman usa o conceito “Instituição Zumbi” para definir que certas instituições não exercem mais suas funções e, no entanto, mantêm suas formas. Desse modo, percebe-se que a metáfora baumaniana é personificada no panorama brasileiro, posto que a interrupção de vários trabalhos científicos, por conta da falta de disponibilização e investimento em recursos, colabora para a estagnação de várias pesquisas importantes para o desenvolvimento nacional. A exemplo disso, os sucessivos cortes feitos pelo Ministério da Educação na área da ciência, vista, de forma errônea, como indiferente para a evolução do Brasil.
Além disso, a queda na oferta de bolsas de estudo representa um grande potencializador para a desvalorização da ciência no Brasil. Como prova disso, o número de candidatos que supera consideravelmente o número de bolsas disponíveis. Desse modo, a dificuldade de ingressão à área científica acarreta no desânimo de vários estudantes em procurarem esse setor ou, muitas vezes, no “exílio científico”, os quais procuram maiores oportunidades de emprego e ensino em outros países. A partir disso, observa-se que o direito à educação, garantida pela Constituição Federal Brasileira a todos os cidadãos, torna-se uma utopia constitucional, visto que o estudante cientista não tem a sua formação garantida.
Diante dessa problemática, constata-se que são importantes medidas interventivas para combater os obstáculos do avanço da ciência. Para isso, é necessária a atuação do Governo Federal quanto ao financiamento dos trabalhos científicos,a partir da disponibilização de recursos que poderão contribuir para o desenvolvimento de pesquisas e projetos importantes para a concretização de estudos ainda não terminados. Além disso, também é essencial a participação do Ministério da Educação em garantir um aumento da disponibilização de bolsas de estudos à jovens cientistas, garantindo, assim, a formação desses profissionais e, consequentemente, maiores perspectivas de futuro no mercado nacional. A partir disso, o avanço da ciência, no contexto brasileiro, poderá ser materializado e, juntamente com ela, o amplo desenvolvimento nacional.