A desvalorização da ciência no Brasil
Enviada em 26/05/2020
No século XVIII, o célebre cientista inglês Isaac Newton equipara o conhecimento adquirido através dos manuscritos científicos a “estar sobre ombros de gigantes”. Tal analogia afirma a importância da ciência para a formação de indivíduos desenvolvidos no âmbito intelectual e social. Entretanto, o cenário ideal newtoniano não está presente no contexto atual brasileiro, acarretando numa crescente desvalorização científica. Tal problemática persiste devido ao ambiente desestimulador e à escassez de investimentos.
Em primeiro lugar, é válido destacar que a valorização da ciência só será possível em um ambiente propício para o mesmo. Acerca dessa premissa, a linha filosófica determinista de Jean Jacques Rousseau defende que o meio em que o homem está inserido define suas possibilidades, logo, um meio inóspito corrompe a sociedade. De forma análoga, o tecido social brasileiro por se encontrar em um cenário improdutivo, na esfera empírica, entra em estado de decadência rousseauniana. Isso constituí-se um problema, visto que o saber científico é um fator diferencial em países desenvolvidos.
Em segundo lugar, a ausência de investimentos duradouros são obstáculos para o reconhecimento da ciência. Acerca disso, o sociólogo Louis Althusser afirma que os investimentos e aparelhos estatais são canalizados para áreas vistas como essenciais para um grupo privilegiado que detém o poder, em detrimento dos espaços democráticos. Tal cenário é evidente no Brasil, visto que, financiamentos superfaturados são feitos para eventos esportivos e festivos, enquanto que o campo científico fica abandonado. Prova disso, é a crise orçamentária vivenciada pelas instituições de pesquisa, em 2016, de acordo com o antigo Ministério da Ciência. Essa situação é inadmissível, posto que tais aplicações de recursos deveriam obedecer uma ordem de urgência.
Diante dos fatos supracitados, percebe-se que mudanças são necessárias. Para tanto, é preciso que o Governo Federal destine incentivo fiscal às instituições públicas de pesquisa, de modo que a parcela do imposto destinado a elas seja aumentado e priorizado, para que, com esse auxílio, tais órgãos científicos tenham a possibilidade de reerguer as pesquisas de ponta no cenário nacional. Além disso, tal medida será responsável pela reforma do ambiente em que os profissionais estão inseridos, os colocando em ambiente propício para a evolução de pesquisas. Dessa forma, o povo brasileiro poderá enxergar sobre os ombros da ciência e valorizá-la.