A desvalorização da ciência no Brasil
Enviada em 07/06/2020
Desde a metade do século XX, o mundo passa pela Terceira Revolução Industrial, na qual a tecnologia e a ciência são utilizadas na produção industrial. Se, por um lado, é consenso entre os países desenvolvidos que o investimento no campo científico lhes permite a manutenção de sua soberania tecnológica perante os outros, por outro, o Brasil adota uma postura totalmente contrária. Nesse sentido, a desvalorização da ciência no Brasil é fruto de um governo que não investe no avanço científico. Como consequência, o território tende a perder seus cientistas e estagnar economicamente, justamente por não se inserir nesse novo contexto mundial.
A priori, o fato de o governo atual deixar de investir em pesquisas nacionais é, no mínimo, preocupante. Segundo o filósofo positivista Auguste Comte, somente pela ciência a humanidade poderia elevar seu grau de desenvolvimento. Ou seja, somente com a valorização da ciência e investimentos massivos nessa área um país pode se tornar independente nos setores econômicos e tecnológicos. Ainda assim, o governo brasileiro, de maneira irracional, não só reluta em ampliar as verbas para fomentar a ciência nacional, mas também ameaça diminuir os investimentos já existentes. Sendo assim, essa postura governamental desatualizada, de relegar essa área de suas prioridades, faz com que o país se torne um ambiente hostil para a produção científica.
Consequentemente, o descrédito na ciência por parte do próprio Governo Federal desmotiva os pesquisadores brasileiros e os obriga a buscarem outros países que acreditam nos pressupostos de Comte. Essa saída de intelectuais do território é extremamente tóxica para o desenvolvimento nacional, já que outros países se beneficiam com pesquisas de brasileiros, as quais poderiam ter sido feitas no Brasil se o governo valorizasse a ciência. Esse fato, em um cenário de Terceira Revolução Industrial, no qual o país que detém as inovações científicas detém também o controle econômico sobre os outros, só pode ser prejudicial ao Brasil .Logo, se essa desvalorização persistir, o país estará fadado ao atraso econômico, exatamente por não se inserir nesse nova lógica de produção e nem atender aos pressupostos de Comte.
Portanto, tendo em vista a importância da ciência no desenvolvimento de um país, é vital que o Governo Federal abandone seu descrédito no meio científico e invista massivamente nessa área. Esses investimentos podem ocorrer por meio da concessão de verbas às pesquisas de brasileiros que outrora saíram do país por falta de recursos, a fim de que suas pesquisas sejam desenvolvidas em território nacional. Desse modo, o Brasil estará inserido na atual perspectiva sobre a ciência, o que resultará no seu desenvolvimento, assim como afirmava Comte.