A desvalorização da ciência no Brasil

Enviada em 03/06/2020

Após o surto de Zika vírus atingir o Brasil em 2016, estudos permitiram a criação de uma vacina eficaz contra a doença - o que possibilitou, já em 2017, a vacinação e proteção de gestantes. No entanto, é válido ressaltar que, apesar dos avanços na área da saúde na sociedade brasileira, o país tem regredido e enfrentado uma enorme desvalorização da ciência. Nesse sentido, é visto que tal problemática é causada principalmente pela falta de investimento governamental, assim como pelo custo inacessível para grande parte da população.

Em primeiro plano, é importante salientar acerca da constante diminuição das verbas para a educação. Recentemente, o Governo Jair Bolsonaro aprovou o contingenciamento de cerca de 2 bilhões de reais das universidades federais, valor que seria destinado para a manutenção de pesquisas e gastos internos. Diante disso, é evidente que a ciência fica prejudicada, uma vez que a restrição dos investimentos dificulta o avanço dos estudos e a administração do ambiente que, com o passar do tempo, não conseguirá dispor de tecnologia e equipamentos necessários.

Ademais, o elevado preço de cursos de especialização, em meio à crise financeira presente no país, corrobora para a permanência do problema. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 15% dos jovens que saem da faculdade não conseguem emprego, enquanto outros 20% arrumam ocupação em trabalhos menos qualificados, isto é, diferentes da sua área de atuação. Com isso, grande parte da sociedade não consegue pagar por uma pós-graduação, já que não há possibilidade de sustento ou um salário que seja suficiente para bancar os altos custos que as pesquisas demandam, o que impede, assim, o acesso democrático ao meio científico.

Portanto, medidas são necessárias para a resolução desse impasse. Destarte, o Ministério da Educação, em parceria com as instituições públicas e privadas de ensino, deve criar um projeto educacional, por meio do aumento na disponibilização de bolsas para o ingresso em cursos de especialização, e do envio regular de verbas para as áreas de pesquisas e inovações das universidades. Sendo assim, o intuito de tais medidas é que haja a possibilidade de acesso igualitário no meio acadêmico e o fornecimento de um ambiente adequado - com computadores e maquinários modernos - para a prática e avanço da ciência no país. Logo, o Brasil obterá melhorias na qualidade de vida de toda a população, haja vista que o potencial científico contribuirá para a resolução de problemas contemporâneos, como a cura de diversas doenças.