A desvalorização da ciência no Brasil
Enviada em 04/06/2020
Com o fim da Primeira Guerra Mundial, médicos, aterrorizados com as infecções que os soldados contraíram durante o combate, desenvolveram pesquisas experimentais. Com isso, depois de anos de estudos, descobriram a penicilina, o primeiro antibiótico da medicina. Assim, criaram um dos remédios mais importante da história, capaz de curar doenças que, até então, matavam milhares de pessoas. No entanto, mesmo com a importância histórica da ciência no mundo, é fato que o Brasil ainda menospreza essa área, o que dificulta o avanço de novas técnicas e descobertas eficientes para a população brasileira.
Em primeiro lugar, é válido lembrar que existe uma crescente desvalorização da ciência no país, o que gera diminuição de gastos públicos e, consequentemente, a impossibilidade de manter estudos e pesquisas em diversas áreas. Nessa perspectiva, cabe ressaltar a manifestação de maio de 2019, que reuniu milhões de estudantes contra os cortes na educação anunciados pelo presidente Jair Bolsonaro. Esse ato, criticado por políticos, buscava evidenciar a importância dos estudos universitários na nação. Nesse viés, fica claro que o investimento e a valorização da ciência estão longe de ser uma realidade brasileira e, por conta disso, projetos e pesquisas que poderiam ser usados a favor da sociedade, como medicamentos e aprimoramentos na saúde pública, não estão sendo desenvolvidos.
Em segundo lugar, é importante ressaltar que a falta de capital investido na pesquisa também dificulta a democratização do acesso ao conhecimento. Nesse contexto, de acordo com o filósofo alemão Karl Marx, a classe dominante detém os meios de produção intelectual, excluindo, dessa forma, os mais desfavorecidos que não contam com a possibilidade de ascensão no mundo da ciência. Logo, a falta de valorização do estudo científico agrava, ainda mais, as desigualdades discutidas por Marx, tendo em vista que, com cortes nos orçamentos das universidades públicas, somente a população mais rica tem alcance às pesquisas acadêmicas.
Portanto, é incontestável que medidas precisam ser tomadas para que a ciência seja uma área valorizada no território brasileiro. Para isso, é preciso que o Governo Federal devolva os investimentos tirados da educação, deixando de perdoar dívidas bilionárias do agronegócio para investir na ciência e na tecnologia. Além disso, o Ministério da Educação e o Ministério da Ciência devem criar projetos de extensão acadêmica em universidades federais e estaduais, incentivando alunos de diferentes cursos de graduação desenvolverem pesquisas voltadas à população nacional. Somente assim, a valorização da ciência será uma realidade e permitirá o desenvolvimento de projetos brasileiros.