A desvalorização da ciência no Brasil
Enviada em 03/06/2020
“Todo grande progresso da ciência resultou de uma nova audácia da imaginação”. A frase pertence a John Dewey, filósofo e pedagogista norte-americano, e ressalta a falta de criticidade da população na absorção de conhecimentos, fato esse que repercute na atualidade e prejudica na ascensão da ciência como meio de desenvolvimento da nação. Nesse viés, são necessárias mudanças reforçadas promovidas pelo Estado e pela sociedade, com o fito de alterar positivamente esse cenário alarmante.
Primordialmente, é válido analisar o pensamento do sociólogo francês Pierre Bourdieu, o qual, em sua obra intitulada “A distinção”, retrata a ideia de senso comum, uma forma de dominação imposta a sociedade pelas classes soberanas, conspirando para as desigualdades e para a futura alienação do cidadão. Tal afirmativa mostra-se presente no poder público, em que a ausência de investimentos na ciência social atinge diretamente grande parcela da população. Desse modo, inúmeros jovens e adultos sofrem pela ineficácia na disponibilização de verbas, comprometendo a ampliação de diversos estudos. Assim sendo, o indivíduo encontra-se a mercê de um sistema que desfavorece o seu crescimento social, o que acarreta uma enorme disparidade cultural e intelectual no país. Dessa maneira, não só os ideais da Carta Magna são comprometidos, mas também o desenvolvimento econômico do organismo.
Ademais, é notório ressaltar que, segundo estudos da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, dos cem reais gastos pelo governo, apenas trinta centavos são destinados para a tecnologia. Logo, fica inegável a malfeita distribuição de capital entre os setores da nação, o que fomenta no péssimo acesso à igualdade de oportunidades entre os habitantes, ao contribuir com a fácil alienação do cidadão, fato que transforma o ambiente em “bolhas” de segregação, como visto nas faculdades e nas pós-graduações, em que muitos estudantes não conseguem continuar seus trabalhos, buscando fora do país uma forma de desenvolver seus estudos. Por conseguinte, sem o incentivo populacional, esses fatores crescem em fluxo contínuo e contribuem para a ampliação dessa problemática.
Destarte, a colaboração entre o Estado e a sociedade é essencial para solucionar esse entrave. Isto posto, para que a ciência seja valorizada, cabe à autarquia federal, vide aplicações no setor científico e tecnológico, promover não só bolsas para Institutos de Pesquisa, como também maiores investimentos no ensino de ciências nas escolas brasileiras, para que, desse modo, o desenvolvimento do organismo seja evidenciado. Atrelado a isso, compete as instituições escolares, por meio das palestras e dos debates, instruir e alertar os jovens para a importância da ciência no âmbito social, como consequência, os indivíduos estariam vivenciando um período de exaltação socioeconômico. Assim, o estímulo da imaginação contribuiria para o progresso da ciência, conforme desejava Dewey.