A desvalorização da ciência no Brasil
Enviada em 15/06/2020
De acordo com Sigmund Freud, psiquiatra alemão, “A ciência não é uma ilusão, mas seria uma ilusão acreditar que poderemos encontrar noutro lugar o que ela não nos pode dar”. Entretanto, mesmo essa visão sendo verdadeira, não é concretizada no hodierno cenário brasileiro, posto que é evidente a desvalorização da pesquisa científica no país, atrapalhando veementemente o desenvolvimento de empresas nacionais. Isso ocorre ora devido à dependência tecnológica, ora em decorrência da falta de possíveis inovações pela emigração de cientistas.
A priori, é imperioso relacionar a dependência tecnológica com a perspectiva de Helena Nader. Segundo a vice-presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), a consequência da falta de investimento é a perda de produtividade e relevância, ficando dependente da produção de outros países, que farão a tecnologia que o Brasil pode vir a precisar. Nesse contexto, com a falta de empresas locais que detenham capacidade cientifica para a produção de tecnologias, o país fica à mercê de companhias internacionais, mantendo-se obsoleto e sujeito à importação de modernizações com altos valores agregados de venda.
A posteriori, é imperativo concatenar a falta de possíveis inovações com o conceito de “Fuga de Cérebros’’.Conforme a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), inúmeros pesquisadores desencantados têm emigrado para países onde a ciência e a tecnologia são valorizadas, em contraste com a falta de infraestrutura e investimento no Brasil. Sob esse viés, trata-se de um cenário preocupante e com um grande custo de oportunidade, pois com uma verdadeira diáspora de pessoas talentosas e capacitadas, há o comprometimento grave do desenvolvimento e futuro do país.
Depreende-se, portanto, a essencialidade de mudanças para tornar possível o desenvolvimento da ciência no Brasil. Necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União (TCU), direcione capital que, por intermédio do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), seja revertido na implementação de pesquisas focadas no aprimoramento tecnológico. Isso deve ser feito por meio de parcerias com Universidades Federais, em que deve ser criado um departamento interdisciplinar, que abranja os diversos cursos na área de engenharia e saúde, gerido por doutores específicos e com o auxilio de profissionais formados e estudantes, visando a criação tecnológica e inovação. Com a finalidade de estimula-los a permanecerem no país e engajarem-se na sua área de escolha. Dessa forma, o Estado verá que a ciência não é uma ilusão e usufruirá de coisas que apenas ela possibilita, como afirmou Freud.