A desvalorização da ciência no Brasil
Enviada em 07/06/2020
Em 1909 o médico sanitarista e brasileiro Carlos Chagas, foi o responsável pela descoberta da doença da tripanossomíase - Doença de Chagas -, se tornando o primeiro cientista da história a descrever uma doença infecciosa. Entretanto, a descoberta não foi reconhecida pela sociedade brasileira, que até hoje insiste em desvalorizar a ciência no país, sobretudo, pela ausência do Estado em investir na ciência a partir do Ensino Básico e excessivos cortes de verbas voltadas à ciência. Assim, ações devem ser tomadas para minimizar tal problemática.
Primeiramente,destaca-se que as escolas não possuem infraestrutura necessária para a prática de atividades de ciências. Um levantamento realizado pela organização “Todos pela Educação” em 2016, informou que apenas 8,6% das escolas do Ensino Fundamental público possuem laboratório de ciências. Dessa forma, ao negligenciar o acesso ao conhecimento por meio das aulas em laboratório condiciona o aluno a acreditar que, teoria e prática, ciência e realidade não andam juntas, e por isso, esse desarranjo não estimula o interesse de crianças e jovens para adentrar no mundo da ciência.
Além disso, a contenção de gastos com ciência interrompe avanços de pesquisas e desenvolvimento no país. A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), órgão responsável pela oferta de bolsas de pesquisas para pós graduação no país por exemplo, informou que em 2020 cerca de 12.000 bolsas não serão renovadas e que as verbas para a realização de pesquisas sofrerá uma queda de 2 bilhões.Logo, ao cortar recursos de projetos em andamento e futuras pesquisas científicas, o Estado está silenciando perguntas importantes que são respondidas por meio da ciência, deixando de contribuir para o desenvolvimento socioeconômico do país.
Portanto, agentes estatais contribuem para que a ciência não seja contemplada no Brasil. Cabe ao Estado, por meio do MEC ( Ministério da Educação) a liberação de verbas para a instalação de laboratórios de ciência nas escolas, com todos os equipamentos necessários para a atividade - em caso de infraestrutura indisponível, deve ser realizado junto a equipe pedagógica feira de ciências em cada semestre - para a compreensão de forma didática e criativa da ciência no cotidiano.Ainda, o Estado deve cortar gastos do fundo eleitoral e destinar para a Capes no intuito de renovar as 12.000 bolsas pendentes - o restante deve ser utilizado para novas pesquisas - e qualificar o trabalho de pesquisadores, que atuam para o crescimento científico da nação. Enfim, com tais medidas sendo colocadas em prática, aos poucos a desvalorização que erroneamente foi dada ao Carlos Chagas possa dar espaço ao país que qualifica e valoriza o(a) cientista brasileiro(a).