A desvalorização da ciência no Brasil
Enviada em 12/06/2020
A ciência, no Brasil, tem sido progressivamente desvalorizada. A falta de investimento em educação e pesquisa faz-se clara com os cortes de rendimento para as universidades públicas, reduções nas bolsas de pós-graduandos, mestrandos e doutorandos. Certamente há uma relação entre a produção científica de um país e seu desenvolvimento. É evidente que a desvalorização da ciência não é uma crise, é um projeto de desmonte por parte de governantes, que deve ser superado.
Com efeito, a desvalorização da ciência por parte dos setores executivos da sociedade, gera um descrédito geral nessa área, nacional e internacionalmente. Uma parcela da população descrê na eficácia da vacina, por exemplo, o que remonta ao ano de 1904, quando houve a chamada Revolta da Vacina. A população se rebelou contra o governo, que queria vacinar as pessoas sem explicar-lhes a importância disso. Da mesma maneira, há ainda quem acredite que a Terra é plana, mesmo havendo indícios científicos que comprovem o modelo de geoide. Quanto à credibilidade internacional do país, diversas nações apreciam o desenvolvimento da ciência e educação. Nos países da União Europeia, considerados de ‘’Primeiro Mundo’’, 77% dos recursos aplicados nesse campo são governamentais. Ou seja, o Estado deve fomentar a pesquisa e a ciência com o dinheiro público para que possa emergir.
Além disso, o desmonte da ciência acentua a dependência da nação com relação às demais. Como muitas das bolsas de pesquisadores são cortadas, os cientistas brasileiros, para dar continuidade a seus trabalhos, fazem um autoexílio. Situação análoga ocorreu durante a ditadura militar, quando a área das humanidades foi atacada e censurada, intelectuais como Paulo Freire, Milton Santos e Darcy Ribeiro mudaram-se. Ainda que o governo Bolsonaro já tenha demonstrado que as ciências humanas e sociais não são prioridades, as ciências exatas e biológicas também não são. Em tempos da pandemia de COVID-19, o Brasil ficou atrelado a outros países no que tange a fornecimento de reagentes para testes e respiradores. Portanto, é de se concluir que, apesar de termos um histórico de pensadores reconhecidos mundialmente no ramo das humanas e estudantes junto de professores que desenvolvem conhecimento científico nas universidades, não há o investimento necessário.
Dessarte, em contraposição ao projeto de subdesenvolvimento do país, faz-se mister uma alternativa que valorize a ciência. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, juntamente com o Ministério da Educação (MEC), deve expor ao povo, por meio de palestras nas escolas, o trabalho científico produzido por brasileiros. Ainda, o MEC deve investir mais recursos nas universidades e fomentar a pesquisa, ampliando as bolsas de estudos. Assim, o Brasil irá democratizar o acesso à ciência e, a longo prazo, tornar-se uma pátria mais independente.