A desvalorização da ciência no Brasil
Enviada em 11/06/2020
Em meados do século XV, observou-se na Europa, até então feudal, um período de grande desenvolvimento científico denominado como Renascimento. Contudo, no hodierno, tem-se atestado um cenário antagônico ao observado neste período, principalmente, pela demasiada desvalorização do fazer científico. Acerca dessa premissa, a problemática é consequência direta do pouco amparo estatal à ciência, bem como da pouca liberdade de pesquisa observada na contemporaneidade.
Em uma primeira análise, vê-se que o Estado brasileiro tem se mostrado negligente no âmbito científico. Desde a Revolução Técnico-Científico-Informacional, ocorrida no século XX, observou-se um acentuado crescimento no número de trabalhos científicos ao redor do mundo. Todavia, o desenvolvimento tardio da indústria acarretou no retardo da difusão da ciência no Brasil, visto que, a maior parte dos recursos da União são destinados aos setores primário e secundário da economia. Por conseguinte, como consequência, o país continuará estagnado em relação à produção de novas tecnologias.
Ademais, além da falta de recursos, a diminuta liberdade de pesquisa tem prejudicado o avanço da ciência brasileira. No romance distópico “1984” de George Orwell, o autor afirma que liberdade é a liberdade de dizer que dois mais dois são quatro, se isso for admitido tudo o mais é decorrência. Nesse contexto, ideias “anticientificistas” propagadas por uma casta da população tentam, em particular, tirar a credibilidade do ramo científico nacional. Dessa maneira, os benefícios a longo prazo que a ciência poderia oferecer são substituídos por soluções imediatistas, conduzindo a nação para estagnação econômica e intelectual em um futuro próximo.
Diante do exposto, algo precisa ser feito com urgência para amenizar a questão. Logo, cabe ao Ministério da Ciência e Tecnologias, por meio de uma portaria, criar um fundo de desenvolvimento científico nacional, distribuindo verbas do orçamento para os principais institutos de pesquisa do país, bem como fiscalizando aplicação dos mesmos. Nesse sentido, o fito de tal ação é alavancar a ciência brasileira, assim, assegurando um novo renascimento científico na atualidade.