A desvalorização da ciência no Brasil

Enviada em 06/06/2020

A ciência moderna foi concebida no século XVI por intermédio de Galileu, Copérnico, Kepler e Newton, que por meio de suas descobertas científicas revolucionaram a forma de o ser humano buscar respostas aos seus questionamentos. Tais ideias surgiram no contexto do Renascimento Ocidental e transformaram a sociedade europeia, que hoje é referência em pesquisas e inovações tecnológicas. No aspecto nacional, o Brasil caminha na direção oposta dos ideais renascentistas, visto que a ciência não é tratada como prioridade pelo estado e por não fazer parte da cultura brasileira.

Em primeira análise, é notório destacar que o investimento em ciência, inovação e tecnologia nunca foi característica marcante dos governos brasileiros recentes. Segundo dados do CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), órgão ligado ao Ministério da educação, nos últimos quatro anos houve corte de verbas à bolsas de pesquisas, reduzindo a oferta em 40% desde 2015. As estatísticas do próprio governo brasileiro refletem o tamanho descaso com um bem tão valioso para a nação, o sucateamento da ciência é feito de forma gradual e reforça a ideia que países terceiro-mundistas preferem viver a incerteza do obscurantismo que se abrir a sapiência.

Além disso, há todo um mecanismo cultural no Brasil que afasta a população do conhecimento científico. Esse déficit é reflexo da forma como a ciência é inserida, ou não, na vida dos cidadãos. A educação de base é um fator fundamental para a construção do repertório cultural dos habitantes de um país, e nas escolas brasileiras muitas vezes não há esse contato inicial com a ciência, sobretudo na rede pública de ensino. Dessa forma essa “teia do saber” que liga os conhecimentos adquiridos ao decorrer da vida é quebrada precocemente, e forma uma nação alheia ao saber científico.

Ante o exposto, é evidente que a desvalorização da ciência brasileira acomete as diversas parcelas da sociedade, desde a base até o ensino superior. Para corrigir tamanha lacuna estrutural, cabe ao Ministério da Economia em parceria com o Ministério da educação, instituir determinada porcentagem fixa do PIB (produto interno bruto) anual para o financiamento de pesquisas e inovações científicas no território nacional por meio de projeto de lei enviado para a o câmara dos deputados. Com tal medida, a área científica do país cresceria em conformidade com a nação e a carreira na área de pesquisa seria mais valorizada, e a ciência moderna criada pelos cientistas do renascimento seria perpetuada.