A desvalorização da ciência no Brasil
Enviada em 14/06/2020
Na série brasileira ‘‘3%’’ é retratada a disparidade social e econômica num futuro próximo. O seriado aborda um mundo dividido, onde vive o descaso social e o Maralto, uma ilha paradisíaca, almejada por todos. Fora da ficção, a realidade não é diferente perante ao seriado, já que a desvalorização da ciência, no Brasil, iguala as condições de vida da maioria da população, retratada na divisão. Assim, a utilização dos investimentos governamentais em prol do benefício social é insuficiente e a má distribuição desses recursos corroboram para esse índice.
Anteriormente, é apto reconhecer como esse panorama aludido limita a própria cidadania para a continuidade desse problema. Traçando um paralelo com à canção ‘‘O Pacato Cidadão’’, do cantor Samuel Rosa, retrata que o brasileiro opta por viver uma vida apática, sem reclamar de nada, que deixa de lado os assuntos políticos e sociais, que ficam apenas na pretensão de outrem. Desse modo, a concepção do cantor se encaixa, de fato, com a desvalorização da ciência, pelo fato de que a relação entre Estado e sociedade é desequilibrada. Por isso, o aparato Estatal, sem ciência não existe desenvolvimento econômico e social na medida em que não criam mecanismos para controlar o aumento da desigualdade social.
Ademais, a imperícia social vinculada ao déficit governamental se dá por conta da participação errática no processo político, o que ocasiona o seguimento do impasse. Nesse viés, ao observar o conceito ‘‘O homem unidimensional’’, do sociólogo Herbert Marcuse, que critica países comunistas e capitalistas por suas falhas democráticas, que nenhum dos dois tipos de sociedade foram capazes de possibilitar igualdade para todos. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que uma das grandes deficiências da economia brasileira é a falta de inovação, que coloca o país no 64° lugar, de 142 nações do índice global de inovações de 2013.
É evidente, portanto, que medidas estratégicas são necessárias para modificar esse cenário. Logo, para que isso ocorra, o Estado, junto ao Governo Federal, deve desenvolver campanhas e palestras nas escolas, para os jovens, por meio de questionários feitos em sala de aula, sobre o papel da ciência para população, a fim de buscar uma resolução adequada para investimentos corretos nesse ambiente. Além disso, cabe o acréscimo de maiores investimento de pesquisa na carreira acadêmica, mais contratações de institutos e por mais direitos para pós graduandos (a), que todos os cientistas em formação tenham recursos disponibilizados de bolsa de estudos durante todo mestrado e doutorado. Por fim, é preciso que a comunidade se mobilize a favor de uma ampla renovação política, pois, como constatou Samuel Rosa: ‘‘Ao pacato cidadão, sobram o fim da utopia e a guerra do dia a dia’’.