A desvalorização da ciência no Brasil

Enviada em 16/06/2020

No período da Idade Média, a instituição católica se apoderou da produção de conhecimento na Europa. No entanto, esse processo era realizado segundo os interesses da igreja, de forma que houve perseguição aos intelectuais que não seguiam os paradigmas impostos, ocasionando em sua desvalorização pelo poder político, tal qual pela massa popular. Esse cenário se mantém atual na sociedade brasileira que não enxerga a ciência como essencial. Isso se deve, sobretudo, à noção de visibilidade pública que aflige a ciência no campo social e político.

É diante disso que cabe citar a desconexão existente entre a comunidade geral e a acadêmica, uma vez que isso é responsável pela falta de prestígio social dada à instituição científica. Tal fenômeno é decorrente da dificuldade de muitos pesquisadores em encontrar canais de comunicação eficientes para a divulgação de seus trabalhos à população comum. Isso gera um desconhecimento acerca do que é realizado nos laboratórios brasileiros e uma sensação de que não há impactos na sociedade. Um visionário e expoente da divulgação científica foi o físico norte americano Carl Sagan que, por meio de um programa televisivo denominado “Cosmos, buscava tornar público o conhecimento produzido ao longo dos séculos de maneira simples e acessível com o intuito de despertar o interesse e admiração.

Além disso, tendo em vista o predomínio da pesquisa pública no Brasil, o Estado é fundamental para o aprimoramento desse setor. Contudo, na medida em que a maioria dos governantes busca focalizar em trabalhos que gerem visibilidade para sua gestão, de forma a realizar projetos a curto prazo, há um conflito com o modo de operação das instituições de pesquisa cujo trabalho é feito a longo prazo. Tal política pode ser exemplificada pelo plano de metas de Juscelino Kubitschek que buscava um progresso de diversos setores equivalente ao de 50 anos em apenas 5, como dizia seu lema. Tendo em vista a curta duração do mandato de um presidente, isso demonstra o imediatismo das ações governamentais, buscando o mérito para si, sem que suas atitudes impliquem em benefícios para seus sucessores, ocasionando em uma negligência para com o campo científico.

Por isso, cabe ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação estabelecer um canal nos meios de comunicação de massa, como pela criação de um programa de televisão ou rádio, para a divulgação dos trabalhos e projetos científicos. Isso resultará em maior conhecimento da população acerca do que é feito nas instituições de pesquisa brasileiras, gerando uma correlação entre tal trabalho e os diversos avanços na sociedade, de forma que haja, inclusive, maior cobrança popular para o investimento público nessas instituições.