A desvalorização da ciência no Brasil

Enviada em 07/06/2020

É incontrovertível o papel essencial que a ciência possui no desenvolvimento de uma nação, as potências mundiais do G8 como Estados Unidos, Alemanha e Japão possuem um enorme investimento anual em ciência e tecnologia, um dos pilares para o crescimento desses países. No entanto, apesar da valorização científica ser notoriamente reconhecida como a base de um país desenvolvido ao redor do mundo, o Brasil percorre o caminho inverso que é o de renegar cada vez mais a ciência, o que é um grande problema reforçado pela falta de incentivo social e investimento financeiro público nessa área.

Primeiramente, na célebre obra de Aluísio Azevedo “O Cortiço”, observa-se, mediante a mudança comportamental dos personagens ao decorrer da trama, como o meio social em que o indivíduo está imerso modifica a sua percepção do mundo. Fora da literatura não é diferente, o empirista inglês David Hume, corrobora com essa ideia, pois defende que o homem é produto das experiências que o mundo o proporciona, ou seja, se no Brasil há de maneira explícita uma desvalorização científica através das palavras, e ações, de governantes públicos, acrescida de uma carência estrutural do setor no país, o que é de se esperar é que a própria população não veja isso como um problema, já que é a realidade que os é apresentada, e esse descaso acaba virando algo natural e aceito socialmente.

Outrossim, embora a Constituição Federal de 1988 tenha como um dos seus fundamentos, no Artigo 3º, a busca em garantir o desenvolvimento nacional, é perceptível que o Brasil até hoje não deu os passos necessários para criar uma nação otimizada, principalmente no quesito ciência e educação, exemplo disso é que enquanto países estão investindo cada vez mais nessas duas áreas com o passar dos anos, o Brasil está cada vez mais enxugando os investimentos nesses setores elementares da pátria, como fez com a aprovação da PEC 241 que tem como objetivo limitar/diminuir os gastos com educação, atrasando, com isso, o progresso social e econômico da nossa república.

Destarte, a partir das exposições supracitadas torna-se mister propor de intervenções contrárias à desvalorização da ciência  no Brasil. Em primeiro lugar, é preciso que o MEC e o Ministério da Ciência e Tecnologia, junto das secretarias estaduais e municipais de educação, realizem palestras, aulas e seminários em escolas públicas, e privadas, abertas à comunidade, para debater e demonstrar como a ciência é fundamental para a ascensão do país, e que sem ela não há desenvolvimento. Ademais, é necessário campanhas midiáticas de grande alcance para que a população comece a cobrar de seus representantes políticos um maior aporte a ciência no Brasil, para que criem emendas constitucionais e outros projetos de lei para suprir a falta de recursos nesse setor. Com a implementação de tais medidas, a pátria garantirá os fundamentos da sua Carta Magna de 1988.