A desvalorização da ciência no Brasil
Enviada em 16/06/2020
No seriado brasileiro, “3%”, a população nacional é selecionada para obter acesso ao Maralto, uma ilha utópica altamente tecnológica que garante qualidade de vida exponencial apenas para a minoria aprovada. De maneira análoga, o Brasil perde a oportunidade de desenvolver-se de forma multidisciplinar ao desvalorizar a produção de conhecimento no país. Nesse sentido, convém analisarmos tanto o distanciamento entre o meio acadêmico e o cidadão comum, quanto o paradoxo dos investimentos científicos frente à crise financeira atual.
Em primeiro plano, a explosão das redes sociais em nossos dias provocou o aumento da procura por respostas rápidas e simplórias, por vezes sem nenhum embasamento formal com a realidade. Segundo o renomado divulgador científico, Carl Sagan, em seu livro -O Mundo Assombrado pelos Demônios- o ser humano tem uma tendência natural ao obscurantismo que deve ser combatida com a presença da ciência como elemento ordinário no cotidiano. Diante disso, é indubitável que uma comunidade desconectada das instituições produtoras de conhecimento será facilmente alienada no que tange a sua crucialidade.
Outrossim, o Brasil enfrenta uma situação paradoxal à medida que a crise econômica provocou cortes de orçamento quase imediatos justamento no setor científico, responsável pelas tecnologias que possibilitam um retorno financeiro significativo para o PIB nacional. A título de exemplo, um artigo publicado no portal G1 afirma que 96% da produção nacional de soja faz uso de sementes geneticamente modificadas desenvolvidas amplamente no país desde 2005. Assim, a desvalorização da ciência figura como um problema a ser melhor enfrentado no futuro.
Faz-se necessário, portanto, que o governo crie um plano de desenvolvimento científico amplificado e contínuo, por meio de investimentos de ordem público-privado, com benefícios fiscais as empresas participantes e verbas específicas para projetos de divulgação acadêmica. Espera-se, com isso, não apenas devolver o status de protagonismo da ciência brasileira como também ir de encontro ao pensamento de Sagan no que se refere ao papel dessa instituição no tecido social moderno.