A desvalorização da ciência no Brasil
Enviada em 15/06/2020
Na mitologia grega, Prometeu foi acorrentado a rochedos de sofrimento sob a pena de ter seu fígado devorado diariamente por um abutre. Embora seja um contexto ficcional, o mito assemelha-se à temática hodierna da falta de apoio à atividade científica no Brasil. À luz disso, investimentos em educação e pesquisa são imprescindíveis para o progresso nacional, uma vez que apenas com conhecimento possibilitar-se-á uma não dependência do setor primário – o qual, quando aprofundado, torna-se mais valioso e gera mais retorno. Sob esse âmbito, o fenômeno da fuga de cérebros – saída de cientistas para o exterior, a fim de terem condições de trabalho adequadas - e a falta de consciência popular sobre os benefícios proporcionados pela ciência são fatores que agravam essa problemática.
A priori, cabe mencionar o pensamento do físico Albert Einstein: “Toda a nossa ciência comparada com a realidade, é primitiva e infantil – e, no entanto, é a coisa mais preciosa que temos”. Sob esse prisma, há uma imensa área passível de inovações, o que justifica tanto investir nela quanto o interesse de outros países em atrair talentos. Nesse espectro, é relevante a disponibilização de valores financeiros, equipamentos e laboratórios adequados a cada pesquisa – com a finalidade de manter os cientistas em solo nacional. Nesse sentido, quando um prodigioso projeto sai do país não é só ele que vai, mas também um cientista com potencial para novos resultados positivos.
Outrossim, a perpetuação do senso comum e da desconfiança de parte da população para com a ciência é extremamente negativa. Nessa conjuntura, todos os avanços e melhorias na qualidade de vida do povo são proporcionados pelas novas descobertas que, por uma parte da sociedade, são desvalorizadas. Assim, a ascensão da ignorância por parte de grupos extremistas surge como forma de crescimento político. Nessa perspectiva, na realidade da pandemia da COVID-19 a pressão pela busca de uma vacina eficaz – por vezes, pelos mesmos que denigrem a imagem dos cientistas e de seus trabalhos, através de movimentos como o antivacina - comprova a importância científica.
Logo, é mister que o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) propicie verbas para todos os pesquisadores do Brasil – por meio de programas de investimento nos projetos -, a fim de mantê-los no país e mitigar a fuga de cérebros da nação. Da mesma forma, é importante que o MCTIC se alie ao Ministério da Educação (MEC) em prol da promoção de palestras nos centros culturais dos municípios com o fito de conscientizar os cidadãos sobre a importância da ciência. Enfim, apenas ao desmitificar as mentiras sobre o lesado fígado científico – ao libertá-lo das amarras da ignorância – e recuperá-lo possibilitar-se-á um voo para longe, não dos profissionais dessa esfera, mas sim do abutre da desvalorização.