A desvalorização da ciência no Brasil
Enviada em 15/06/2020
O museu itinerante da Fundação Oswaldo Cruz, denominado Ciência Móvel, visa ampliar a cultura científica da sociedade através da aproximação de museus e centros de ciência à população de várias capitais e cidades por onde passa. Esse projeto apresenta importante papel no atual cenário brasileiro de desvalorização da ciência, uma vez que existe uma indiferença por parte dos cidadãos em relação a tal conhecimento. Assim, quando também é notório a falta de investimentos ao âmbito científico e os efeitos acarretados ao desenvolvimento regional e nacional, urge pensar em soluções.
Inicialmente, vale ressaltar que, conforme a Constituição Federal de 1988, cabe ao Estado promover e incentivar o conhecimento e a capacitação científica. Contudo, enquanto tal esfera carece, cada vez mais, de verbas governamentais, nota-se a dificuldade de entendimento e interpretação das informações tecno-científicas pelo público leigo. Dessa forma, sem garantia de fornecimento e manutenção dos recursos para gerir seu trabalho até o fim, os cientistas se encontram cada vez mais desmotivados a iniciar processos de pesquisa e inovação. E, sem a formação de profissionais capacitados a conscientizar cientificamente a sociedade, a população brasileira tende ao constante afastamento e desapreço pela ciência.
Além disso, durante a Segunda Guerra Mundial, as nações investiram muito em ciência e tecnologia por estratégia política. Os avanços criados para fins bélicos (radares, computadores e aviões à jato) também se encontram aderidos na vida cotidiana com outra finalidade (localização, comunicação e locomoção). Assim, é evidente que o Estado tem fundamental papel de assistência à todas as áreas que o estudo científico abrange e torna-se necessário que ele reconheça sua própria função. De acordo com o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), o Brasil investe menos de um por cento de seu PIB (Produto Interno Bruto) em Ciência e Tecnologia, representando um significativo regresso ao país, que é diretamente comprometido com a ausência de avanços sanitários e ambientais economicamente sustentáveis.
Portanto, com o objetivo de viabilizar a inclusão científica sociocultural e o desenvolvimento nacional, é dever do Governo disponibilizar recursos adequados à comunidade científica e, em parceria com o Ministério da Educação, prover a interação da sociedade com a ciência. Isso poderia ser feito por meio da amplificação de projetos como o Ciência Móvel, de modo a aproximar os estudantes de diferentes níveis e a população de diferentes idades às pesquisas e experimentações. Só assim uma questão tão complexa poderá se solucionada.