A desvalorização da ciência no Brasil

Enviada em 14/06/2020

Com o surgimento da doença Covid-19 no Brasil em 2020, o país, assim como vários outros em todo o mundo, viu a necessidade de desenvolver, através do meio científico, uma vacina que contivesse a propagação do vírus causador da doença. Porém, diante dessa realidade, ficou muito evidente o quanto a ciência, responsável pela melhoria em setores como a saúde, indústria e o próprio desenvolvimento da sociedade, é desvalorizada no Brasil. Os baixos investimentos econômicos e a falta de incentivo aos pesquisadores são alguns dos obstáculos que precisam ser superados, tendo em vista a importância da ciência para a nação.

Em primeiro plano, vale destacar que, de acordo com Zygmunt Bauman, o imediatismo é uma das consequências da modernidade líquida. Ou seja, esse conceito pode ser visto no despreparo dos governantes em lidar com os pesquisadores e projetos científicos, pois movidos pela busca de resultados imediatos, não fornecem o suporte necessário. Ademais, para uma pesquisa ser concluída, é fundamental um estudo minucioso e, consequentemente, muito investimento de tempo e dinheiro, que representa justamente o apoio governamental não encontrado. De acordo com o Jornal Folha de São Paulo, em 2019, o Brasil teve corte orçamentário de 42% em ciência e tecnologia no governo do presidente Jair Bolsonaro, representando um desafio para a classe científica do país.

Além disso, é de suma importância salientar que, não há progresso sem um projeto de desenvolvimento científico e tecnológico. Porém, essa consciência deve ser adquirida logo nos primeiros anos do indivíduo, mas não é o que acontece no Brasil. A falta de incentivo durante o ensino básico, em que a maior parte das escolas brasileiras não tem laboratórios, investimentos em robótica e projetos de ciência, faz com que o país tenha desvantagens em relação a outros países do mundo que avançam nesse meio, e haja cada vez mais desinteresse da população pela ciência.

Por tudo o que foi visto, torna-se imperativo que medidas sejam tomadas a fim de minorar os impasses apresentados. Cabe ao Ministério da Ciência, Inovação e Tecnologia, retirar os cortes orçamentários e aumentar os investimentos em ciência e tecnologia, para que os cientistas tenham à disposição, recursos para avançar em pesquisas e, consequentemente, contribuir para o progresso do país. Também, cabe ao Ministério da Educação destinar 10% dos seus rendimentos para a criação de laboratórios e a introdução da disciplina robótica, visando o incentivo à participação científica, o que fará com que haja interesse do aluno pelo meio. Assim, haverá desenvolvimento e bem estar coletivo.