A desvalorização da ciência no Brasil
Enviada em 16/06/2020
No Brasil, a cada 100 mil habitantes 7,6 são doutores, enquanto em países desenvolvidos como Portugal, essa relação é de 39 para 100 mil. Esse número, portanto, demonstra maior iniciação científica pela população, que é incentivada pelo Estado por meio de investimentos na educação e pesquisa. Entretanto, no Brasil, esse incetivo à carreira científica não ocorre, empatando o desenvolvimento intelectual e tecnológico do país, tanto pela desvalorização da ciência por parte do Estado, quanto pelo preconceito e desinformação da população.
Nessa conjuntura, é constante o ataque à comunidade científica pelo Poder Público. Em visto disso, é comum a “Fuga de cérebros”, fenômeno social em que pesquisadores e cientistas são obrigados a sair do seu país por não encontrarem oportunidades de desenvolverem seus estudos e projetos, muitas vezes por cortes de verbas e baixa empregabilidade. Uma vez que, em 2014 a distribuição de bolsas de pós-graduação foram cortadas em mais de 40% pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico (CNpq), esse tipo de medida contribui para o fenômeno mencionado, e leva brasileiros bem qualificados para outros países que serão beneficiados com suas pesquisas. Dessa maneira, concretiza-se o pensamento do filósofo chinês, Confúcio, que diz “O governo é bom quando faz feliz aqueles os que sob nele vivem e atrai os que vivem longe”. O brasileiro, enfim, é o atraído.
Outrossim, a ciência não é desvalorizada somente pelo Estado, como também pela sua sociedade desinformada. De modo que, segundo a Teoria do Estigma, do cientista social canadense, Erving Goffman, uma maioria que detém o poder é capaz de construir uma identidade estigmatizada a uma minoria. Sob esse viés, o Poder Público põe em prova a teoria de Goffman, constrói uma imagem estigmatizada de Instituições de pesquisa e seus pesquisadores, como foi o caso de um ministro da educação que demonstrou aversão às universidades, identificando-as como balbúrdia. Nesse sentido, manifestos como este influenciam uma nação diretamente e indiretamente e, consequentemente é reproduzido em massa esse preceito obscurantista, negando a ciência produzida nesses institutos e todos os progressos conquistados por ela.
Entende-se, portanto, que o descaso e retardo do avanço científico no país é produto de um Estado manipulador e ultrapassado. Assim sendo, é necessário que o Governo pelo Ministério da Educação, mediante o redirecionamento de verbas, crie mais bolsas acadêmicas nas universidades brasileiras a fim de minimizar a Fuga de cérebros e fomentar o desenvolvimento nacional. Ademais, cabe as Instituições de Ensino informar e estimular por meio de palestras com pesquisadores e olimpíadas acadêmicas que introduzam o estudante à produção científica.