A desvalorização da ciência no Brasil

Enviada em 09/06/2020

Durante a Idade Média, havia uma supervalorização da igreja e do clero como maior fonte de sabedoria e poder, em detrimento da ciência, filosofia e pensamento crítico. Analogamente à contemporaneidade brasileira, observa-se, semelhantemente, uma preocupante desvalorização dos métodos e constatações científicas por parte das instituições governamentais e dos próprios cidadãos. Desse modo, a desvalorização da ciência no Brasil, com o descaso dos governantes, resulta no regresso geral da sociedade, bem como potencializa a manutenção de uma cultura anticientífica.

Em primeira análise, torna-se evidente que a negligência governamental com os institutos de pesquisa resulta no regresso social como um todo. Segundo o filósofo brasileiro Sérgio Cortella, a ciência desempenha um papel fundamental no desenvolvimento de qualquer nação. Contudo, os atuais órgãos responsáveis pelos investimentos em pesquisa no Brasil não têm como prioridade avançar essa área científica, haja vista que, só no ano de 2019, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior anunciou cortes de aproximadamente 12 mil bolsas de estudo, que deixou muitos estudantes desamparados e sem recursos para continuarem suas teses. Dessa maneira, salienta-se que o desmazelo com a ciência no Brasil pode resultar na perda de muitas pesquisas pertinentes para a comunidade científica, gerando um estancamento, ou até mesmo retrocesso, social.

Consoante ao exposto, além do retrocesso social, observa-se a manutenção de uma cultura anticientífica por parte dos governadores. De acordo com o cientista brasileiro Paulo Artaxo, chefes de estados que potencializam essa cultura costumam colocar os dados científicos em xeque quando esses não se alinham a seus interesses pessoais. A exemplo do presidente brasileiro Jair Bolsonaro, que, contrariando grandes cientistas e a Organização Mundial da Saúde, não seguiu as recomendações para embate do COVID-19 no Brasil, a julgar que tais medidas resultariam em danos econômicos. Diante disso, como grandes influentes populares, governantes proliferam ideais anticientíficos que induzem os cidadãos à esta linha de pensamento, criando um ciclo interminável de desinformação.

Em suma, a desvalorização da ciência, além de contribuir para a involução social, também serve como ferramenta de manipulação popular para interesses pessoais. Dessarte, torna-se imprescindível que o Ministério da Educação em conjunto com o Governo federal e estaduais priorizem o investimento em educação superior e instituições de pesquisa, por meio do recompensamento das bolsas perdidas e fornecimento de novas bolsas estudantis e de pesquisa dentro e fora do país, para que os estudantes possam dedicar seu tempo integralmente à pesquisa. Com isso, intenta-se que o Brasil desfrute de todo o seu potencial científico e contribua socialmente como os países desenvolvidos.