A desvalorização da ciência no Brasil

Enviada em 08/06/2020

A invisibilidade do cientista na qualidade de trabalhador

Foi amplamente noticiado pela mídia quando médicos conseguiram reverter o quadro clínico de um homem que padecia de câncer terminal, em Minas Gerais. Dessa esquipe, 20 pessoas eram pesquisadores bolsistas. Esse é um caso de demonstração da importância da ciência para a construção do bem estar social. Apesar disso, o Estado, importante fomentador da pesquisa nacional, desvaloriza esse seguimento, especialmente por não dar condições de trabalho dignas a quem labora nessa área. Entre os desdobramentos desse descaso, muitos dos cientistas não só adoecem mentalmente, mas também acabam por abandonar suas funções.

Em princípio, há o exemplo da CAPES, fundação pertencente ao Ministério da Educação, que paga a seus doutorandos uma bolsa de estudos no valor equivalente a pouco mais de 2 salários mínimos. Ademais, o bolsista labora como qualquer assalariado vinculado à Consolidação das Leis Trabalhistas. Mesmo assim, pesquisadores  não possuem as garantias de proteção ao trabalhador, como o direito ao recebimento de décimo terceiro salário e o pagamento de adicional por insalubridade . Esse desamparo acabar por fazer com que muitos indivíduos abandonem a produção científica.

Outrossim, o jornal Folha de São Paulo publicou uma matéria, em 2017, relatando as causas do adoecimento mental de diversos estudantes em nível de doutorado no Brasil. Dentre as origens, estava o baixo valor das bolsas cujas atualizações monetárias não eram feitas pelo governo desde 2013. Essa situação permanece no ano de 2020. Com efeito, é evidente que o desrespeito à essa classe profissional tem o poder de trazer males psíquicos para seus colaboradores, de maneira a provocar um grande obstáculo à qualidade da produção acadêmica do país.

Por fim, uma forma de desvalorização da comunidade científica brasileira está na péssima conjuntura laboral imposta a seus membros pela inciativa pública. Para tentar consertar esse cenário, deve-se partir de um princípio: Gestores da nação são o espelho da mentalidade popular. Posto isso, uma possível solução para o caso está em meios de comunicação, como grandes mídias, influenciarem a consciência do seu público, no sentido de fazer ele entender o protagonismo dos cientistas perante avanços para a humanidade, como a cura de uma neoplasia, por exemplo. Assim, é possível conceber uma sociedade que vote em políticos que possuam projetos de valorização daqueles que dedicam suas vidas à produção intelectual e tecnológica, a fim de que pesquisadores tenham qualidade de vida e não precisem abandonar suas vocações.