A desvalorização da ciência no Brasil

Enviada em 11/06/2020

Em “O Jogo da Imitação”, o personagem Alan Turing prejudica o avanço da Alemanha Nazista quando consegue decifrar os algorítmos correspondentes ao projeto de guerra de Hitler. Diante disso, observa-se que, desde a segunda metade do século XX, a relevância do conhecimento tecnológico para atingir certos objetivos. De maneira antagônica, o Brasil torna-se um país que cada vez mais desvaloriza a busca por conhecimento. Nesse prisma, destacam-se dois aspectos importantes: a diminuição de incentivos nas pesquisas científicas e a emigração de estudantes em função da falta de investimentos.

Em primeiro plano, pode-se destacar os cortes sucessivos, ao longo da década de 2010, pelo Governo Federal, nas áreas de estudos científicos. Desse modo, segundo o site “O Tempo”, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) perdeu 24,4% dos recursos entre os anos de 2014 e 2019, sendo mais de 1 bilhão de reais reduzidos. Além disso, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) teve uma redução de, aproximandamente, 40% no orçamento para bolsas no mesmo período. Dessa forma, evidencia-se uma redução significativa da verda direcionada ao ensino superior para pesquisas e desenvolvimento, mostrando o descaso que o Estado tem em relação ao progresso científico e intelectual brasileiro.

Outrossim, é notório que a redução da verba governamental para pós-graduações determina a grande ocorrência de um fenômeno chamado de  “fuga de cérebros”, na qual pesquisadores e estudantes emigram de seus países para lugares em que a ciência e tecnologia são mais valorizados. Consoante a isso, o biólogo Glauco Machado, do Instituto de Biociências da USP comenta que “o investimento em pesquisa e tecnologia tem crescido em vários países desenvolvidos e as oportunidades de bolsas e eventualmente trabalho em algumas áreas são maiores no exterior do que aqui.”. Sendo assim, a saída do país torna-se muito atrativo aos que buscam um investimento significativo na sua área.

Portando, fica evidente a necessidade de medidas que venham a diminuir a emigração de pessoas qualificadas e a desvalorização da ciência no país. Por conseguinte, cabe ao Governo Federal oferecer uma maior verba aos Ministérios da Educação e da Ciência, Tecnologia e Comunicações e criar um novo modelo de ensino, por meio da diminuição de privilégios políticos monetários e fundos eleitorais, além de basear-se em métodos de instrução referências pelo mundo, a fim de que haja diminuição da “fuga de cérebros” e que corrobore para a evolução da ciência no Brasil. Somente assim, a sociedade torna-se-á mais intruída e sairá da ignorância que a submissão intelectual causa aos indivíduos.