A desvalorização da ciência no Brasil
Enviada em 07/06/2020
Em setembro de 2015, a Organização das Nações Unidas (ONU) reuniu chefes de Estado, para a promoção da “Agenda 2030”. As proposições da Agenda visam, entre outros aspectos, a erradicação da pobreza e a redução das desigualdades. Contudo, para que haja efetivo desenvolvimento econômico-social-ambiental, é imprescindível que o desenvolvimento científico preceda todas essas questões, para que propicie-se os mecanismos responsáveis por guiar tais medidas. Atualmente, a desvalorização da ciência no Brasil ganha espaço de maneira desmedida, caracterizando total oposição à Agenda 2030, na qual o Brasil fez parte. Dentre as principais causas que ilustram tal depreciação, evidenciam-se: o desdém do poder público pela ciência e a falta de investimentos.
Em primeiro lugar, é essencial problematizar a desvalorização da ciência sob o prisma da esfera política, visto que, é preocupante que quem direcione políticas públicas para o desenvolvimento econômico e social, feche os olhos para a ciência. A fusão do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) ao Ministério das Comunicações (MC), em 2016, evidencia o início de um “efeito cascata” na área do desenvolvimento científico. A medida foi tomada com o intuito de reduzir gastos, pois o país vivia um momento de crise econômica acentuada. Porém, é importante salientar, que somente através do desenvolvimento de pesquisas, é possível uma sociedade superar qualquer crise, seja econômica, ambiental ou social.
Atrelado à essa análise, é relevante a reflexão acerca dos investimentos em tecnologia e ciência. É de grande importância o investimento pesado do poder público em pesquisas científicas, visto que, somente a partir de novas descobertas será possível acensão econômica, que por sinal, é o objetivo principal do Governo brasileiro. Todavia, não é isso que acontece, dados do portal G1 apontam que, recursos da Capes e Cnpq, sofreram quedas de 30% e 80% respectivamente em 2019. Tais dados, acarretam significativa perda de potenciais investidores e extravio de pesquisadores para outros países.
Isto posto, para que o desvalorização da ciência seja definitivamente superada, medidas devem ser tomadas. Dado que, os líderes políticos não dão prioridade ao desenvolvimento científico, é necessário a união da comunidade científica para pressionar o Governo em conjunto com toda a sociedade civil, aliando-se a influenciadores digitais e artistas de todo o Brasil. Faz-se necessário um movimento “Pró-Ciência para o Desenvolvimento do Brasil”, reivindicando ao poder executivo, a restauração do MCTI, fim dos cortes orçamentários para programas de pesquisa, e investimento pesado em programas de divulgação científica. Assim, a sociedade tomará conhecimento do valor da ciência e da necessidade de valorizá-la. E o Brasil estará preparado para atender às demandas da Agenda 2030.